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Dia a Dia

Justiça reconhece danos a indígenas que tiveram terras inundadas no AM

25 de novembro de 2024 Dia a Dia
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Ação judicial envolve morte de índios Waimiei-Atroari durante a construção da BR-174 entre Manaus e Boa Vista-RR (Foto: Funai/divulgação)
Indígenas Waimiri-atroari na época da construção da BR-174: terras inundadas por hidrelétrica (Foto: Funai/divulgação))
Do ATUAL, com agência MPF

MANAUS — A 1ª Vara Federal no Amazonas reconheceu os direitos preexistentes do povo indígena Waimiri-Atroari sobre as terras inundadas nos anos 1980 pela Usina Hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, em ação civil pública movida pelo MPF (Ministério Público Federal).

A sentença considerou as provas históricas, antropológicas e testemunhais apresentadas pelo MPF que demonstraram a ocupação tradicional indígena na região desde o século XIX, incluindo as áreas afetadas pela construção da hidrelétrica.

A Eletronorte, a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e a União também foram condenadas a pagar uma indenização por danos coletivos causados aos Waimiri-Atroari, que foram expulsos de suas terras para a construção da usina e sofreram prejuízos devido ao atraso na redefinição dos limites da Terra Indígena. O valor da indenização será definido em outra etapa do processo.

A sentença também anulou os títulos de propriedade concedidos pelo Estado do Amazonas a particulares sobre a área, que havia sido indevidamente loteada entre 1969 e 1971, desconsiderando a ocupação dos Waimiri-Atroari. Esses lotes, situados no chamado Loteamento Pitinga, foram posteriormente desapropriados pela Eletronorte para a construção do reservatório da usina.

O caso

Durante a ditadura militar, os Waimiri-Atroari sofreram graves violações de direitos, incluindo a execução de obras de infraestrutura em suas terras, como a construção da usina de Balbina. A ação do MPF mostrou que as terras indígenas haviam sido reduzidas de forma arbitrária por decretos federais em 1971 e 1989, limitando a área da reserva e desconsiderando o território tradicionalmente ocupado pelo grupo.

Além disso, o Estado loteou a área entre 1969 e 1971 e deu títulos de propriedade para pessoas estranhas à região, desconsiderando a ocupação pelos indígenas. Posteriormente, a Eletronorte desapropriou 66 lotes de 27 proprietários para a área ser inundada na instalação da usina.

O alagamento causado pela hidrelétrica Balbina alterou o ecossistema, impactou no uso e ocupação da área pelos indígenas e fragmentou a relação cultural e espiritual com a terra – afetando locais sagrados e tradições ancestrais.

O acesso ao rio Uatumã, por exemplo, foi prejudicado e afetou diretamente a pesca, prática essencial para a sobrevivência e cultura alimentar do grupo. Outros impactos incluem a perda de áreas de plantio, caça e coleta, fundamentais para a reprodução econômica e cultural dos Waimiri-Atroari.

A área atual do reservatório da usina é ainda hoje utilizada pelos indígenas para pesca e as terras das ilhas, formadas pela inundação, para roças e coleta.

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Assuntos Balbina, MPF, união, Waimiri-Atroari
Feifiane Ramos 25 de novembro de 2024
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