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Expressão

O mito Marina Silva e a BR-319

3 de dezembro de 2023 Expressão
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Marina Silva defende que é preciso cumprir o acordo de Paris na política ambiental (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)
Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, se tornou alvo preferencial da crítica de políticos do Amazonas (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)
EDITORIAL

MANAUS – A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, se tornou o principal alvo da sanha da politicada amazonense. Atribuem a ela a responsabilidade por não permitir o asfaltamento da BR-319 e a tratam como a mulher má que não permite aos habitantes do Amazonas e de Roraima o direito de ir e vir.

Além dos políticos, uma parte considerável dos profissionais de comunicação tem recorrido ao discurso raivoso contra Marina Silva. A maioria desses discursos são feitos por homens, alguns, inclusive já tiveram a ousadia de falar presencialmente com o dedo em riste sobre o rosto da ministra.

Quem fez ou faz isso, só fazem diante de uma mulher. Nunca se viu o mesmo comportamento diante dos homens que, mais do que Marina, deram as costas para o Amazonas depois de prometer asfaltar a rodovia. O principal deles, o ex-vice-presidente da República Hamilton Mourão.

Políticos e comunicadores raivosos atribuem a Marina Silva um poder que ela não tem. Enquanto gastam energia contra a mulher Marina, deixam de buscar ou apontar o dedo para os verdadeiros responsáveis pelo atraso na pavimentação da BR-319.

Depois da saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente, em 2008, o governo Lula teve o ministro Carlos Minc, que ficou quase dois anos no comando da pasta. Depois, outra mulher, Izabella Teixeira, ficou durante quase seis anos – todo o governo de Dilma Rousseff. Nem Minc e nem Teixeira foram cobrado(a)s pelo não asfaltamento da BR-319.

No curto governo de Michel Temer, dois ministros do Meio Ambiente – Sarney Filho e Edson Duarte – não liberam as licenças para a estrada, e ninguém os cobrou por isso. Mais quatro anos do governo Bolsonaro se passaram, com o ministro Ricardo Salles. Nesse período, nunca o ministro foi incomodado. No final do governo, liberou uma licença prévia para a pavimentação da rodovia. Na CPI das ONGs, a ministra Marina Silva disse que até hoje não há pedido de licença de instalação.

Quem deve solicitar a licença de instalação? O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte), ligado ao Ministério dos Transportes. Algum político do Amazonas ou algum profissional da mídia já cobrou o ministro dos Transportes ou o presidente do Dnit por não apresentarem o pedido de licença de instalação da BR-319?

Outro fato que chama a atenção: em setembro de 2022, a ponte na BR-319 sobre o rio Curuçá, no município de Careiro, desabou, matou três pessoas e deixou mais de uma dezena de feridos. Duas semanas depois, uma outra ponte, sobre o rio Autaz Mirim, também desabou, deixando centenas de famílias isoladas.

Nestes dois trechos da rodovia não há necessidade de licenciamento ambiental para que o governo federal refaça as pontes ou asfalte o pavimento. No entanto, mais de um ano depois, nada foi feito pelo Dnit. A travessia dos dois rios vem sendo feito precariamente por balsas.

Marina Silva não tem qualquer interferência sobre as obras de reconstrução das pontes. Nesses mais de 12 meses não se viu nenhum político criticando o presidente do Dnit ou o ministro dos Transportes por não realizar as obras na BR-319.

Marina Silva disse, na CPI das ONGs, que a BR-319 não é pavimentada porque é uma obra difícil. E é verdade. Não apenas porque precisa provar a viabilidade econômica, social e ambiental, como ela diz. Mas porque é um empreendimento que requer muito dinheiro. Até aqui não se tem um orçamento que aponte o valor aproximado da reconstrução da rodovia. E o governo federal não tem orçamento para tal.

O licenciamento ambiental, que é uma questão meramente técnica, é de responsabilidade do Ibama, que está sob o guarda-chuva do ministério do Meio Ambiente, comandado por Marina Silva. Mas a licença é o menor dos problemas para essa obra difícil.

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Assuntos BR-319, crítica, licenciamento ambiental, Marina Silva, políticos do AM, trecho do meio
Valmir Lima 3 de dezembro de 2023
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1 Comment
  • JORGE LIMA disse:
    5 de dezembro de 2023 às 14:59

    A questão é que Marina lidera a seita contrária à BR319 e a tudo que possa vir a gerar riqueza no interior do Amazonas, inclusive exploração de potássio.
    Se nada fez de concreto para impedir a recuperação, JAMAIS deu uma única declaração que sequer admitisse que a estrada fosse recuperada.
    Quanto aos políticos do Amazonas, a periferia de Manaus os julga e sentencia!

    Responder

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