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Expressão

Aumento de preços pesa mais para os que ganham menos

13 de abril de 2022 Expressão
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Dinheiroo na mão
Poder de compra das classes baixas, média-baixa e média foi corroído nos últimos anos com a inflação alta e o congelamento de salários (Foto: Murilo Rodrigues/ATUAL)
EDITORIAL

MANAUS – A distribuição e peixe na Semana Santa pelo Governo do Amazonas, levou uma multidão às ruas de um bairro da zona leste de Manaus, na última terça-feira (12). A oferta não foi suficiente para atender a demanda de famílias que buscam escapar da fome nesses tempos em que a inflação derrubou o poder de compra.

As famílias de renda menor foram as mais afetadas pela inflação que terminou o ano de 2021 acima de 10% e continua a castigar o trabalhador neste início de 2022. Mas os números oficiais mostram que a classe média-baixa e média sentiram ainda mais o impacto do aumento de preços.

A inflação oficial fechou 2021 em 10,06%, mas para as famílias de renda muito baixa, o índice foi de 10,08%. Além do impacto maior, o aumento de preços também jogou famílias de renda maior para faixas de consumo de baixo.

Para as famílias de renda média-baixa o índice de inflação foi de 10,40% e para as de renda média, 10,26%.

As famílias da chamada Classe C não tiveram aumento de salário significativo desde 2019. No primeiro ano da pandemia, em 2020, no entanto, foram impactadas com o aumento de preço dos alimentos.

Em 2021, o aumento de preço da energia elétrica e dos combustíveis (essa classe usa o carro como transporte principal) representaram um duro golpe nas finanças dessas famílias.

A energia elétrica teve aumento acima de 21% em 2021, com a chamada crise hídrica; a gasolina subiu 47,49% e o etanol, 62,23%. O preço dos combustíveis não impacta apenas as pessoas que têm carro, mas causa efeito em cadeia, porque eleva os preços do frete e, consequentemente, de todos os produtos nas lojas e supermercados.

O impacto da inflação só não faz diferença para quem está no topo da pirâmide. Na prática, as grandes empresas não sofrem qualquer impacto inflacionário, porque qualquer ameaça de perda é repassada ao consumidor, que é obrigado a pagar a conta.

Antes concentrada nas classes mais pobres, agora, a inflação incomoda também as classes média baixa e média. E as perspectivas de mudança desse quadro são desanimadoras.

O governo central finge que está tudo bem e que não há nada a fazer. A política econômica de Paulo Guedes desde sempre tem adotado a tática liberalista segundo a qual o mercado é o senhor da história.

Como senhor absoluto que dita as regras, o mercado exime de culpa todos os que de algum modo deveriam ser cobrados pelos efeitos da tal política liberalista. Em resumo, é um “salve-se quem puder”.

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Um adulto praticando ‘bullying’ e uma multidão aplaudindo

Assuntos classe média, classe média-baixa, famílias pobres, inflação, poder de compra
Valmir Lima 13 de abril de 2022
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