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Expressão

Um adulto praticando ‘bullying’ e uma multidão aplaudindo

13 de outubro de 2026 Expressão
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Vereador e candidato a deputado federal Sargento Salazar (PL) pode ir a juri popular (Foto: Rede social/reprodução)
Vereador e deputado federal eleito vai representar o Amazonas em Brasília (Foto: Rede social/reprodução)

Informação e Opinião

Por Valmir Lima, do ATUAL

MANAUS – Um vereador de Manaus, policial militar e recentemente eleito deputado federal com 212.948 votos, aos 43 anos sustenta uma audiência estupenda nas redes sociais fazendo “bullying” com pessoas adultas. Seus alvos são políticos adversários, cujos nomes utiliza para lacração nas redes, sempre com um apelido jocoso. Nome: Alexandre da Silva Salazar, mais conhecido como sargento Salazar. O que impressiona é a quantidade de pessoas que aplaude uma atitude que é categorizada como crime no Código Penal Brasileiro.

Legalmente, o bullying é reservado para o contexto de crianças e adolescentes, especialmente no ambiente escolar ou no desenvolvimento infantojuvenil. Qando adultos utilizam apelidos pejorativos nas redes sociais com o objetivo de humilhar, há o cometimento de crimes contra a honra previstos no Código Penal Brasileiro.

Por fazer tanto mal às crianças e adolescentes, o bullying tem sido combatido sistematicamente pela sociedade brasileira nos últimos anos, o que resultou na criação de duas leis nacionais. A primeira, a Lei 13.185/2015, instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (bullying) em todo o território nacional, determinando que escolas públicas e privadas devem implementar medidas de conscientização, prevenção e solução. A segunda, a Lei 14.811/2024, criminalizou o bullying e o cyberbullying no Código Penal (Art. 146-A), prevendo pena de multa e, no caso específico do cyberbullying, reclusão de 2 a 4 anos.

O bullying tem múltiplas facetas, indo do simples apelido, como faz Salazar, à violência física, com inúmeros registros de mortes no Brasil ao longo da história. Vejamos a seguir os tipos de bullying:

  • Verbal: Xingamentos, apelidos pejorativos, humilhações e difamações.
  • Física e material: Agressões como tapas, chutes, empurrões, além de roubo, furto ou destruição de materiais.
  • Psicológica e social: Exclusão de grupos, chantagem, intimidação e isolamento deliberado.
  • Cyberbullying: Agressões realizadas por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens, fotos ou vídeos vexatórios.

Salazar, em tese, pratica dois tipos: o verbal (apelidos pejorativos) e o cyberbullying, com o uso das redes sociais para atacar seus alvos.

Em entrevista ao G6, no feriado de Nossa Senhora de Aparecida (12 de outubro de 2026), o senador Omar Aziz (PSD), candidato a governador e alvo de Salazar após o resultado do primeiro turno da eleição, fez um comentário sobre o comportamento do vereador. Vale a pena a reprodução de trecho da fala de Omar, que foi apelidado de capivara:

“Eu já fui moleque de rua. E na nossa época, os imbecis, como eu, a gente apelidava os outros. Mas depois que a gente cresce, amadurece, a gente não faz mais isso. (…) Na nossa época, muitas crianças tinham deficiência por causa da poliomielite, e a gente, imbecilmente, ignorantemente, apelidava as pessoas. Se o cara fosse preto, apelidava. Por quê? Porque éramos imbecis. Quando a gente via uma criança quietinha, a gente não sabia que ela tinha autismo, a gente gozava. Mas isso quando a gente era moleque, adolescente. Quando não tinha empatia pelo próximo. Quem não tem empatia, vê defeitos.”

Salazar certamente assistiu à reprimenda de Omar, que ao final da fala disse que não se incomodava com o apelido que ganhou do vereador. Qualquer pessoa educada, encararia a fala de Omar Aziz como uma bofetada, e procuraria ao menos refletir sobre o assunto. Não foi o que fez o vereador.

Nesta terça-feira (13), ele foi acompanhar a candidata do partido dele, Maria do Carmo Seffair, ao debate na TV Norte, e no local cumprimentou Omar. No entanto, um episódio ainda mais lamentável ocorreu durante o debate. Um comparsa de Salazar, um policial de nome Kidson Maia, fez um gesto à candidata a vice-governadora na chapa de Omar, a deputada estadual Alessandra Campêlo (PSD), que representa violência. Um gesto com a mão direita como se estivesse cortando o pescoço.

O caso gerou polêmica e, Salazar, foi às redes sociais defender Kidson Maia, a quem apoiou na eleição para deputado estadual (não se elegeu). Mas o fez da pior forma possível. Primeiro, minimizou o gesto, que na linguagem policial significa matar, eliminar. Depois, lançou um apelido à deputada Alessandra Campêlo: “passa pano”.

Bem típico de quem pratica o bullying: reatividade excessiva, dificuldade de lidar com regras ou frustrações, impulsividade e falta de empatia com os colegas. Essas características do agressor no bullying servem para identificar crianças agressivas. E as leis citadas foram criadas para combater o bullying nas escolas, onde a prática é mais comum.

E por que não se refere aos adultos contra adultos? Porque é raro, um adulto normal ter comportamento desse tipo. E por ser raro – como diz o Omar Aziz, só os imbecis o praticam –, torna-se ainda mais assustador que um político tenha a confiança de uma fatia tão grande do eleitorado fazendo o que uma sociedade lúcida condena.

Esse comportamento do eleitorado acende um sinal de alerta. Estamos mergulhando cada vez mais no abismo da ignorância? Caminhamos para o niilismo moral? O teme merece reflexão.

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Assuntos Alexandre Salazar, bullying, cyberbullying, Sargento Salazar
Valmir Lima 13 de outubro de 2026
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