
MANAUS – O Brasil se acostumou a ver a imprensa e os meios de comunicação em geral pós-ditadura militar iniciada em 1964 serem xingados pelos amantes do presidente de plantão por fazer aquilo a que é o seu sentido fundante. Agora, no governo Bolsonaro, esse asco com a mídia se tornou muito mais intenso.
Não precisa ir longe no tempo para entender o sentido do “de novo” do título. Desde a Lava Jato e, depois, com o processo de impeachment, a mídia foi acusada de trabalhar para derrubar quem estava no poder. E o curioso é que lá como aqui há os que torcem o nariz para o conteúdo divulgado pelos meios de comunicação e os que o aplaudem, dependendo da veia política do leitor.
Atualmente, aqueles mesmos que jogaram pedras na chamada “grande imprensa” são os que estão adorando o trabalho por ela desempenhado no atual governo. E os que aplaudiam e achavam essa mesma “grande imprensa” a senhora da verdade, hoje a acusam de defender a ditadura e o fim das liberdades individuais.
Uma das acusações nestes tempos de Bolsonaro é a de que os meios de comunicação defendem o Projeto de Lei 2.630/2020, que ficou conhecido como o Projeto de Lei das Fake News. Para o bolsonarismo, o texto já aprovado no Senado, limita e ameaça a liberdade de expressão.
Bolsonaro orientou seus aliados a votarem contra a matéria, mas foi derrotado. Para seus amantes de plantão, o combate ao crime das notícias falsas, das ameaças à vida de pessoas. Defendem, por exemplo, que pessoas se escondam atrás de perfis falsos nas redes sociais para atacar adversários.
Esses e essas amantes do presidente não se dão nem ao trabalho de verificar o que foi aprovado no Senado. O projeto de lei sofreu diversas modificações, e os senadores aprovaram a quarta versão do relatório do senador Angelo Coronel (PSD-BA).
Os meios de comunicação, inclusive, são os responsáveis pela divulgação de todas as informações que chegam ao conhecimento dos que hoje pedem a sua extinção. Exatamente igual ao que vimos no passado recente.
Os militantes bolsonaristas querem uma mídia militante, como há aos montes nesses tempos de redes sociais e internet. Querem uma mídia para divulgue os feitos e encubra os defeitos. Mas o papel dos meios de comunicação é exatamente o contrário: mostrar os defeitos e deixar para a publicidade a apresentação dos feitos.
A grande imprensa dos anos de 1960 fez esse papel que lhe é exigido pelos amantes do poder, e apoiou o golpe militar, mas se arrependeu amargamente quando se viu sufocada pela censura.

