
Informação e Opinião
Por Valmir Lima, do ATUAL
MANAUS – No evento Marcha para Jesus, realizado na quinta-feira (4), em São Paulo, o senador e pré-candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), contou mais uma das mentiras que vêm semeando nessa empreitada eleitoral: o Brasil vive “uma guerra espiritual”. E convocou os presentes a orarem contra “o mal que será expulso do governo do Brasil esse ano (sic)”.
É mentira das grandes que o Brasil vive uma guerra espiritual, assim como é mentira que o governo atual seja a representa o mal. A “guerra espiritual” é uma invenção da extrema direita, por apostar que tripudiando sobre a fé de uma população cristã lhe renderá votos.
O governo Lula tem seguido a risca a Constituição, que instituiu um Estado laico. Não se vê o presidente da República explorando a fé alheia ou usando os espaços sagrados ou a religião para fazer proselitismo político.
Mas para Flávio Bolsonaro, é preciso pregar aos quatro cantos do Brasil que o governo, o PT e seus aliados são anticristãos, outra mentira plantada pelo extremismo de direita. O problema para Bolsonaro é que o rei está nu, porque no Cristianismo, a fé não é medida pelas palavras, mas pelas ações.
Quando se buscam as ações de Flávio e as comparam com as de Lula, fica difícil não suspeitar de que a prática do primeiro destoa do discurso. E se o leitor fizer uma análise mais atenta, perceberá que até o discurso do extremista está longe de um comportamento cristão, porque sai da boca do falante carregado de ódio.
Enquanto Flávio fala em guerra espiritual, Lula percorre o Brasil fazendo entregas para a população mais pobre. No Amazonas, o presidente entregou casas do programa Minha Casa, Minha Vida, que foi descontinuado no governo de Jair Bolsonaro.
No mês passado, depois de acusar o governo de envolvimento com os escândalos do Banco Master e de dizer que “o Banco Master é do Lula”, um áudio desmascarou Flávio, ao revelar que ele pediu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para pagar um filme sobre a trajetória do pai, Jair. Quando questionado sobre o malfeito, negou. Depois, assumiu que pediu dinheiro de Vorcaro, mas disse se tratar de recursos privados.
Depois revelou-se que ele procurou o banqueiro, inclusive, depois de o mesmo ser preso em operação que desmantelou o esquema criminoso do Master. Flávio queria a liberação total de um montante de R$ 134 milhões.
Da parte de Lula, nada, nenhuma fala de conotação religiosa, nenhuma ameaça contra qualquer igreja. Portanto, a guerra espiritual só pode ser uma invenção para ludibriar os tolos.

