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>Política

Justiça condena quatro na Maus Caminhos novamente por fraude com lavanderia

12 de novembro de 2019 >Política
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condenados
Priscila Coutinho, Mouhamad Moustafá e Jennifer Nayiara foram condenados na Maus Caminhos (Fotos: Divulgação)

Da Redação

MANAUS – Três volvidos na Operação Maus Caminhos foram condenados à prisão por superfaturamento no serviço de lavanderia no valor de R$ 500 mil. O empresário Davi Flores, dono da D’Flores, foi sentenciado a cinco anos e dez meses em regime semiaberto. Com exceção de Davi, Mouhamad Moustafa, Priscila Marcolino Coutinho e Jennifer Naiyara Yochabel Rufino Correa da Silva já haviam sido condenados em outro processo também envolvendo contrato de lavanderia com a Ita Serviços para a UPA de Tabatinga.

O objeto da sentença, desta vez, foi um contrato com a empresa D’Flores para prestação de serviços de lavanderia na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Campos Sales, em Manaus. Na ação, o MPF (Ministério Público Federal), denunciou a falta de concorrência pública, o início das atividades de lavanderia sem possuir uma única máquina de lavar no local, prestação de serviços sem qualquer contrato assinado e pagamentos regulares sem garantia da realização dos serviços.

A Justiça afirmou na sentença que todos os envolvidos tinham plena consciência dos pagamentos ilegais e sabiam que o destino final dos valores desviados era o caixa da organização criminosa responsável pelo desvio de, pelo menos, R$ 100 milhões em recursos da saúde no Amazonas.

O empresário e médico Mouhamad Moustafa, um dos líderes do grupo, foi condenado a 11 anos de oito meses de prisão em regime fechado. A empresária Priscila Marcolino Coutinho foi condenada a oito anos e quatro meses em regime fechado de prisão domiciliar. Jennifer Naiyara Yochabel Rufino Correa da Silva pegou dois anos e dois meses em regime aberto.

Os réus ainda foram condenados a ressarcir o valor de R$ 485.325,00, correspondente aos danos causados ao patrimônio público, em valores atualizados. As penas foram aplicadas com base no artigo 312, do Código Penal, pelo crime de peculato.

Irregularidades

As investigações, segundo o MPF, mostraram que, além de ter sido contratada sem qualquer processo de concorrência ou convites a outras empresas do ramo para apresentação de propostas, a empresa D’Flores iniciou os serviços de lavanderia na UPA Campos Sales, efetivamente, em janeiro de 2015. No entanto, o contrato assinado pela empresa com o Instituto Novos Caminhos, responsável pela gestão da unidade de saúde, só ocorreu em agosto de 2015, indicando a prestação de serviços ao estado de forma irregular.

De acordo com relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), a empresa sequer possuía maquinário próprio na unidade para realização do serviço até maio de 2016, realizando a lavagem de roupas e paramentos hospitalares da UPA Campos Sales em outras unidades de saúde para as quais já prestava este serviço anteriormente.

Para a Justiça, a forma de pagamento pelo serviço da empresa D’Flores também causou estranheza: em vez de cobrar proporcionalmente pela quantidade de roupas lavadas, a empresa emitiu notas fiscais com valores fixos, de R$ 34.720,00 durante todos os meses de vigência do contrato. Quando comparado com os preços pagos no contrato vigente à época no Hospital Dr. Fajardo com a mesma empresa, o valor pago pelo quilo de roupa lavada na UPA Campos Sales era quase oito vezes maior, demonstrando o superfaturamento.

A ação tramita na 4ª Vara Federal do Amazonas, sob o número 9516-86.2017.4.01.3200. Cabe recurso em relação à sentença.

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Cleber Oliveira 12 de novembro de 2019
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