Braga, Omar e as pedras atiradas na história da Ponte Rio Negro

Manaus - AM, 24/10/2011. Presidenta Dilma Rousseff participa da cerimônia de inauguração da ponte sobre o Rio Negro. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR.

Inauguração da Ponte Rio Negro em 24 de outubro de 2011: Braga, Omar, Dilma e Lula (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Neste início de semana, os senadores que representam o Amazonas no Congresso Nacional Eduardo Braga (PMDB) e Omar Aziz (PSD) promoveram um bate-boca virtual sobre os problemas da Ponte de Rio Negro, que começaram a ser investigados pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal com autorização do STF (Supremo Tribunal Federal). Braga “chutou na canela” de Omar Aziz ao dizer que não teve qualquer responsabilidade sobre os aditivos aos contratos da ponte, que elevaram o preço de R$ 574 milhões para R$ 1,1 bilhão, e culpou seu sucessor. Omar revidou e disse que Braga pagou 93% da obra quando apenas 48% dos serviços estavam feitos.

Quem tem razão? Nem Braga nem Omar. Ambos falseiam a verdade. Ambos têm as mesmas responsabilidades, porque estavam juntos, desde o princípio. Para quem não lembra, Omar Aziz era vice-governador do Amazonas quanto a obra da ponte foi licitada, em 2007. O governador era Eduardo Braga. Portanto, estava juntos. É inaceitável tentar jogar a culpa de qualquer problema no colo do outro. Estavam juntos com Braga governador e permaneceram juntos até o fim de 2010, principalmente durante a campanha eleitoral que reelegeu Omar Aziz e elegeu Braga e Vanessa Grazziotin (PCdoB) para o Senado. Os três formavam um só grupo, unido, coeso. Omar tinha como vice o agora governador José Melo (Pros).

Braga diz que não assinou qualquer aditivo ao contrato da Ponte Rio Negro, e cita o Diário Oficial do Estado de junho de 2010, quando ele já não era mais governador, para dizer que foi Omar o responsável pelo aditivo que elevou o preço da obra de R$ 574,8 milhões para R$ 811,8 milhões, um acréscimo de R$ 237 milhões de uma tacada só. É verdade que foi Omar quem autorizou o aditivo, mas não foi uma invenção dele, e sim de Braga.

Foi Eduardo Braga quem, em 2008, meses depois de assinado o contrato com o Consórcio Rio Negro, formado pelas empresas Camargo Corrêa e Construbase, enviou ao TCE (Tribunal de Contas do Estado) uma consulta para saber se era possível fazer o aditivo, calculado à época em R$ 300 milhões, ou seja, mais de 50% do valor contratado.

O processo para elevar o valor do contrato foi gestado, portanto, desde 2008, na administração de Eduardo Braga. A demora ocorreu muito em função das notícias veiculadas na imprensa do absurdo que seria elevar o preço da obra naquela proporção. Tal processo só foi finalizado em 2010 e coube a Omar Aziz, como governador, assinar o aditivo, em comum acordo com o antecessor. Nunca houve, da parte de Omar, qualquer manifestação pública contra o aditivo milionário.

Depois coube, sim, a Omar o pagamento de reajustes ao contrato e a assinatura de novos contratos de serviços que não estavam previstos no contrato original. Serviços elementares, diga-se, como a iluminação e as defensas da ponte, que elevaram o valor dos R$ 811,8 milhões para R$ 1,1 bilhão.

Até outubro de 2011, quando a ponte foi inaugurada com a presença da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, nem Braga se queixou de Omar e nem Omar se queixou de Braga. Estavam os dois juntinhos na inauguração da obra, como mostra a imagem acima.

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