
Por Feifiane Ramos, do ATUAL
MANAUS – “São pessoas que precisam ser tratadas de uma forma diferente”, afirmou o vereador Capitão Carpê (PL) ao criticar a transferência de 71 policiais militares presos no Núcleo Prisional da PM em Manaus para nova carceragem na BR-174, anexa ao Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim). A maioria dos detentos responde por crimes graves, como homicídio e estupro, segundo dados divulgados pelo MPAM (Ministério Público do Estado do Amazonas).
Ao lado do vereador Coronel Rosses, também do PL, Carpê afirmou que os policiais não deveriam ser mantidos em uma unidade próxima ao sistema penitenciário comum e defendeu que o Estado deveria ter providenciado um espaço com condições específicas de segurança. Ambos são ex-policiais militares.
“Colocaram os nossos policiais militares […] em uma situação extremamente desconfortável, tendo que fazer essa remoção para um local que, infelizmente, não vai trazer a segurança que eles precisam, já que são pessoas que têm que ser tratadas de forma diferente”, afirmou o parlamentar.
A transferência ocorreu na Operação Sentinela Maior, coordenada pelo MPAM com apoio da Polícia Militar do Amazonas e da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. São 83 policiais militares detidos. Desses, 71 foram levados para a nova unidade e outros 11, que cumprem regimes aberto e semiaberto, permaneceram em Manaus.
Segundo levantamento do Ministério Público, 22 policiais presos respondem por homicídio e outros 14 por estupro. Também há casos de tráfico de drogas, associação criminosa, roubo, tortura, extorsão e violência doméstica.
Coronel Rosses afirmou que ele e Capitão Carpê pretendem atuar em defesa dos policiais. “Deixando bem claro aqui pra todos, os familiares, os policiais, que nós somos da Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal. […] Vamos fazer o trabalho que muitos outros parlamentares policiais não fazem […] de vir aqui, defendê-los, tentar fazer de tudo para protegê-los no momento que estão ali e, principalmente, cobrar do governo”, declarou.
Investimento
Durante visita ao antigo núcleo prisional da corporação, no bairro Monte das Oliveiras, na zona norte da capital, os vereadores atribuíram a transferência à falta de investimentos na estrutura que, segundo Rosses, por anos abrigou policiais militares presos.
“Já que vai ter um bilhão de reais para a segurança pública […], pega R$ 200 mil, R$ 300 mil, e investe nisso aqui [local onde estavam presos os policiais]”, disse Coronel Rosses. Em seguida, criticou a decisão de transferir os detentos para a nova unidade: “Pegaram os presos e jogaram naquele resto de cela que tem ali no Anísio Jobim”.
Capitão Carpê também questionou o fato de a medida ter sido adotada após recomendação do Ministério Público, e não por iniciativa anterior do governo estadual. Segundo ele, o “Estado teve por tanto tempo, tantos anos, recursos, tempo, para colocar os nossos policiais militares que estão presos em uma situação segura e nada fizeram”.
Alegaçã de isegurança
Os parlamentares afirmaram que a proximidade com o Complexo Penitenciário Anísio Jobim pode aumentar o risco de conflitos e comprometer a segurança dos policiais presos.
“Quem garante que […] a gente não terá ali mais um grande confronto, mais uma grande rebelião e, que Deus o livre, uma grande chacina”, declarou Coronel Rosses.
Fuga
A desativação da antiga carceragem da PM ocorreu após a fuga de 23 policiais militares em 27 de fevereiro deste ano. O episódio, conforme o MPAM, intensificou os questionamentos sobre as condições estruturais do local e levou os órgãos de controle a defenderem a transferência para uma unidade considerada mais adequada para a custódia dos presos.
