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Dia a Dia

PM afasta policiais que invadiram terreiro de matriz africana em Manaus

30 de junho de 2026 Dia a Dia
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PMs apreenderam instrumentos de terreiro e estão afastados das ruas (Foto: Reprodução)
Por Thiago Gonçalves, do ATUAL

MANAUS – Os policiais militares que apreenderam instrumentos religiosos no terreiro Mina Jejê-Nagô Nossa Senhora da Conceição, em Manaus, foram afastados das ruas e colocados em serviço administrativo. Eles estão afastados desde domingo (28). Nesta terça-feira (30), em reunião com o Comando Geral da Polícia Militar do Amazonas, representantes da Aratrama (Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matriz Africana) cobraram providências da corporação.

O coordenador geral da Aratrama, Alberto Jorge Silva, informou que a Polícia Militar se comprometeu a cumprir os ritos de apuração previstos na legislação e o Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público Federal em 2014 para capacitar policiais militares a cumprir as diretrizes da lei.

“O compromisso deles é fazer cumprir o que manda a legislação, cumprir com os ritos que já existem prefigurados na Polícia Militar. O policial cometeu um ato ilícito, cometeu um ato grave, tem toda uma ritualística de inquérito, de apuração da parte administrativa, da parte criminal. São duas situações que eles deixaram bastante claras. Administrativa e criminal”, afirmou.

“O comando geral foi altamente respeitoso, acolhedor. O comandante [coronel Marcos Klinger dos Santos Paiva] foi muito aberto, muito sincero. Superou as nossas expectativas”, completou Alberto Jorge.

Alberto Jorge reconheceu a omissão de diferentes instâncias: “Isso não foi somente um problema causado pela Polícia Militar. O Ministério Público Federal está sendo leniente, o Ministério Público Estadual está sendo omisso. Os problemas que nós estamos denunciando ocorrem há 12 anos, tempo em que nós estamos nessa luta”.

Sobre o conteúdo do TAC, Alberto Jorge afirmou que ele prevê obrigações de capacitação que deixaram de ser cumpridas. “O TAC está muito claro, tem que ter um processo de formação continuada, dos praças, dos sub-oficiais, oficiais, delegados, agências policiais e tudo mais, e isso não tem sido feito”.

Segundo ele, os procedimentos foram abandonado na gestão do ex-governador Wilson Lima (União Brasil). “Nós construímos isso em 2014, nós fizemos todo um trabalho junto com o IESP, seguindo as orientações do Ministério Público Federal. Isso se tornou uma realidade, mas quando o Wilson Lima assume o governo do Estado, jogou tudo isso fora, fez de conta que nada existia. Existe um culpado nisso tudo, um governo de direita que não olha essas condições”, disse.

Leia mais:

PMs apreendem instrumentos em celebração religiosa de matriz africana

Alberto Jorge cobrou a criação de uma delegacia especializada em crimes de intolerância, prometida e nunca implementada. “Até hoje, a Delegacia Especializada em Crimes e Intolerâncias não foi criada, embora o ministro Flávio Dino [do STF], quando era ministro da Justiça, tenha disponibilizado todos os recursos para a construção da Delegacia de Combate à Intolerância. Até hoje o governo do Estado do Amazonas não fez absolutamente nada”.

Alberto Jorge esclareceu que os terreiros não precisam de autorização prévia para realizar celebrações. “Correu boato de que os terreiros precisam ter uma autorização especial, comunicar previamente quando vão tocar. Isso é fake news, que quem está divulgando isso está divulgando uma mentira. Assim como o padre não precisa comunicar quando vai celebrar a missa, o pai de santo não tem que comunicar quando toca tambor, só comunica quando faz um evento que tem interdição de rua”, afirmou.

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Assuntos Aratrama, manchete, policial militar, religião de matriz africana, terreiro
Thiago Gonçalves 30 de junho de 2026
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5 Comments
  • IZAIAS PONTES disse:
    30 de junho de 2026 às 19:47

    Esse povo de esquerda só lembra dos seus direitos e esquecem dos seus deveres!

    Responder
  • Alfredo Santa Rita disse:
    30 de junho de 2026 às 20:09

    Não é possível q um policial desconhece a Lei nº 7.716/1989 q enquadra, severamente, crimes contra atos de intolerância religiosa, é o “fim da picada”. É preciso punir com rigor esses policiais e exemplarmente. Apetrechos religiosos, de qq religião, são sagrados, merecem respeito de todos, independente da religião, principalmente, aqueles que carregam a autoridade do Estado. O Chefe deste terreiro tem q entrar contra o Estado para ser ressarcido pela discriminação e constrangimento, por danos, uma reparação justa e que seja amplamente divulgada.

    Responder
    • Anônimo disse:
      1 de julho de 2026 às 07:03

      Nao foi intolerancia, eles estavam cumprindo a lei de silencio, de uma denuncia feita por moradores da regiao.

      Responder
      • Rogério Vettorazzi disse:
        1 de julho de 2026 às 11:02

        Isso não importa, eles não podem adentrar um templo sem um mandato e sem o aparelho para medir os decibéis, a conduta está totalmente fora da lei, me indigna mais ainda você estar apoiando esse tipo de conduta, provavelmente seja um evangélico escondido atrás de um perfil anônimo, não somos menos doque ninguém, apenas queremos o nosso direito de cultuar nossa religião sem ser incomodados…

        Responder
  • Lucy Linhares disse:
    1 de julho de 2026 às 11:11

    O que leva um PM a acreditar que tem a tarefa de invadir um terreiro? Onde é passada para os policiais a ideia de que um terreiro, lugar de prática religiosa, dever ser invadido? Desmontar essa visão é fundamental para que não volte a acontecer!

    Responder

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