
Por Aline Bronzati e Pedro Lima, do Estadão Conteúdo
NOVA IORQUE – O embaixador permanente da Venezuela na ONU (Organização das Unidas), Samuel Moncada, acusou os Estados Unidos de flagrante violação à integridade territorial e independência política do país com os ataques do último sábado (3) e que culminaram na queda do ditador Nicolás Maduro.
“O dia 3 de janeiro de 2026 é uma data de profunda importância histórica, não só para a Venezuela, mas para o sistema internacional. Nesse dia, na América, a Venezuela foi alvo de um ataque armado ilegítimo, sem qualquer justificativa legal, por parte do governo dos Estados Unidos”, disse Moncada durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, nesta segunda-feira (5).
Segundo Moncada, os acontecimentos de 3 de janeiro constituem uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, perpetrada pelo governo dos EUA, em particular a violação do princípio da igualdade soberana dos Estados, da proibição absoluta do uso ou da ameaça do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado. Ele disse ainda que a ação capitaneada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, foi uma direta violação do direito internacional.
“O desrespeito a essa norma não afeta apenas a Venezuela, mas também estabelece um precedente extremamente perigoso para todos os Estados representados nesta assembleia, independentemente de seu tamanho, poder ou alianças”, disse o embaixador da Venezuela.
Nova audiência
O juiz Alvin K. Hellerstein determinou que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, volte a comparecer a um tribunal federal dos Estados Unidos no dia 17 de março ao encerrar uma audiência que durou cerca de meia hora nesta segunda-feira. O processo trata das acusações criminais apresentadas pela Justiça americana contra Maduro, incluindo conspiração de narcoterrorismo e crimes ligados ao tráfico de drogas.
Durante a sessão, o advogado de Maduro, Barry J. Pollack, afirmou que há “questões sobre a legalidade” da captura de seu cliente, classificada pela defesa como uma “abdução militar”. Segundo Pollack, Maduro “é chefe de um Estado soberano e tem direito às prerrogativas” associadas a esse status. O advogado disse ainda esperar uma disputa judicial “volumosa” na fase prévia ao julgamento para tratar desses questionamentos. Embora não tenha solicitado a libertação do presidente neste momento, a defesa reservou o direito de apresentar um pedido de fiança mais adiante.
A audiência também abordou a situação de Cilia Flores, esposa de Maduro e igualmente acusada no caso. O advogado dela, Mark Donnelly, informou que Flores enfrenta “questões de saúde que exigirão atenção”, incluindo a possibilidade de fratura ou hematomas severos nas costelas, e solicitou que ela seja submetida a exames de raio-x e a uma avaliação médica completa. Donnelly acrescentou que sua cliente, de 69 anos, pode precisar de acompanhamento físico mais detalhado.
Ao fim da sessão, foi registrado que tanto Maduro quanto Flores concordaram em permanecer detidos por ora, com a possibilidade de que pedidos de liberdade sejam analisados em momento posterior. Um representante do governo informou ainda que ambos foram colocados oficialmente sob custódia às 11h30 horário local de sábado, com chegada a Nova York às 16h31 horário local do mesmo dia.
