
OPINIÃO
MANAUS – A imagem acima é uma representação do discurso falso pulverizado nas redes sociais e na mídia em geral pelos defensores da tentativa de golpe, urdido durante o processo eleitoral de 2022 e depois das eleições que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva para o terceiro mandato.
A intenção da extrema direita é depositar na cabeça da população mais desatenta que o 8 de janeiro de 2023 foi uma manifestação pacífica como outra qualquer, com incidentes que fugiram ao controle dos organizadores. Não foi!
Nos últimos dias, passaram a usar como símbolo da campanha pela anistia uma senhora idosa e uma mulher que está sendo julgada por participar dos ataques criminosos aos prédios dos Três Poderes da República, a mesma mulher que usou um batom para pichar a estátua da Justiça, um monumento instalado em frente ao Supremo Tribunal Federal.
Apesar do discurso da extrema direita de que a anistia é para livrar pessoas inocentes da cadeia por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro, o projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados quer livrar todos os que porventura participaram do planejamento do fracassado golpe.
Em última instância, o foco da anistia não são velhinhas ou mulheres com batom, mas o principal personagem da trama golpista, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O projeto de anistia e a extrema direita quer livrá-lo da cadeia, e usam alguns personagens do 8 de janeiro como escudo.
Lembremos os movimentos pós eleições de 2022. A extrema direita e seus seguidores não aceitaram o resultado da eleição presidencial e foram às ruas. Bloquearam estradas e montaram acampamento em frente aos quartéis do Exército. Clamavam por uma intervenção militar. Diziam que não iriam recuar até que a eleição fosse anulada. Anunciavam que aconteceria em breve uma reviravolta na política nacional. Mentiram sobre a prisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes.
O ainda presidente da República, Jair Bolsonaro, fugiu para os Estados Unidos no dia 30 de dezembro de 2022, dois dias antes do fim do mandato. Relatório da Polícia Federal no inquérito da trama golpista aponta que havia um plano detalhado para a fuga de Bolsonaro para os Estados Unidos quando a tentativa de golpe de Estado no final de 2022 não obteve êxito. No exterior, ele aguardaria o desfecho do 8 de janeiro de 2023.
O relatório da Polícia Federal não deixa dúvidas de que o ex-presidente teve participação direta na trama golpista, e mostra trechos de gravações e documentos apreendidos durante a investigação de que havia uma preocupação dos golpistas em proteger Bolsonaro.
No dia 8 de janeiro, os manifestantes não deixaram dúvidas de que estavam ali para depor Lula do poder. E queriam mais. Por isso, quebram a sede do Poder Legislativo e destruíram totalmente o plenário do Supremo Tribunal Federal. A intenção era forçar uma intervenção militar. Certamente, muitos dos que estavam ali participando da quebradeira não faziam ideia do que pensaram os articuladores do golpe. Qual a verdadeira intenção da quebradeira. Mas queriam Lula longe do Palácio do Planalto.
No Governo Lula, foi discutida, no dia 8 de janeiro de 2023, a decretação de uma GLO (Garantia da Lei e da Ordem), em que o presidente da República transferiria o poder para as Forças Armadas. Lula recusou-se a fazê-lo. Avaliou que transferindo o poder para os militares, o golpe estaria consolidado.
Por isso, a anistia é um prêmio aos criminosos. O Supremo Tribunal Federal não pode recuar na punição dos culpados. O Congresso Nacional não pode recuar e aprovar a anistia. Punição a todos os culpados é necessária, tanto aos artífices do golpe quanto aos baderneiros que depredaram o patrimônio da União de pisotearam a democracia brasileira.

