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Dia a Dia

‘Varredura’ por vítimas de naufrágio já alcança 10 quilômetros de rio em Manaus

15 de fevereiro de 2026 Dia a Dia
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Orleilso Muniz diz que operação é uma das mais complexas da corporação (Foto: Reprodução/CM7)
Por Felipe Campinas, do ATUAL

MANAUS — As buscas pelas vítimas do naufrágio da lancha Lima de Abreu XV completaram 48 horas e envolvem embarcações, mergulhadores, drones e helicóptero. A “varredura” já alcançou 10 quilômetros a partir do Encontro das Águas, em Manaus, informou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Orleilso Ximenes Muniz, neste domingo (15). Sete pessoas estão desaparecidas desde sexta-feira (13), quando ocorreu o acidente.

“Só do ponto onde houve o naufrágio, a jusante, ou seja, rio abaixo, já percorremos mais de 10 quilômetros em busca de possíveis vítimas”, disse o coronel a jornalistas, no Porto de Manaus.

De acordo com Muniz, após 48 horas do acidente aumenta a possibilidade de que corpos de vítimas que morreram afogadas venham a flutuar. Com isso, os bombeiros reforçaram as buscas, incluindo drones e helicóptero. “Existe a possibilidade real de que eles venham a aparecer, a boiar. Por isso, vamos reforçar as equipes de busca na superfície”, afirmou.

“Com a aeronave de asa rotativa, já realizamos voos em pontos específicos. A partir de amanhã, a aeronave estará regularmente apoiando a operação”, disse. “Estamos utilizando drones em locais onde a aeronave não consegue prover observação e onde a embarcação não chega. É um conjunto de equipamentos usados na operação”, completou.

Os bombeiros também empregam equipamentos que utilizam ondas sonoras para identificar objetos submersos. “Tudo que for metálico que estiver o leito do Rio Negro nós vamos detectar. A partir daí, com um sonar de imagem mais robusto, vamos ler a imagem e fazer as operações de mergulho”, disse Muniz.

Atuam na operação 25 mergulhadores experientes. “Temos mergulhadores com mais de 18 anos de atividade, além dos recém-formados. Vamos continuar as operações até conseguirmos dar uma resposta adequada”, afirmou Muniz.

Outra equipe iniciou as buscas a partir de Itacoatiara, no sentido contrário à operação iniciada em Manaus. A estratégia considera que a correnteza pode ter arrastado as vítimas por quilômetros nessas 48 horas.

“Envolvemos a unidade de Itacoatiara porque existe a possibilidade de que, dependendo do deslocamento das correntes, as vítimas já estejam a quilômetros do local do naufrágio”, afirmou.

Muniz classificou a operação como “uma das mais complexas” já realizadas pela corporação. Segundo ele, fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas dificultam o trabalho. “Há mudanças no direcionamento das correntes, principalmente do Rio Solimões, que tem correnteza mais forte, além de diferença de densidade e temperatura da água. A profundidade também é grande, o que complica as operações”, explicou.

As condições climáticas também interferem nas buscas. “A meteorologia impacta muito. Hoje caiu um temporal na área de busca e inviabilizou parte da operação”, afirmou.

Lista não oficial

O comandante informou que o Corpo de Bombeiros ainda não trata os sete desaparecidos como lista oficial, pois os nomes foram informados por familiares. A lista de embarcados teria sido extraviada no naufrágio.

“Temos nomes porque foram informados pelos parentes, mas não temos a lista oficial de embarque. Por isso ainda não divulgamos oficialmente as identidades. São pelo menos sete pessoas apontadas durante a ocorrência, e é com base nesse número que seguimos nas buscas”, disse.

Acidente

A lancha saiu de Manaus com destino ao município de Nova Olinda do Norte, no Rio Madeira. Na região do Encontro das Águas, naufragou. Conforme os bombeiros, 71 pessoas foram resgatadas com vida.

O comandante da embarcação, Pedro José da Silva Gama, de 42 anos, foi detido em flagrante pela Polícia Civil do Amazonas no início da noite de sexta-feira, mas na manhã de sábado pagou fiança e foi solto para responder ao processo em liberdade. No início da noite de sábado, a Justiça decretou a prisão preventiva dele.

Pedro disse à polícia que o naufrágio foi causado por uma ventania repentina, com ondas de cerca de metros, e pela movimentação de passageiros para a parte da frente da embarcação.

Leia mais: Comandante atribui naufrágio a ventania e movimentação de passageiros no Encontro das Águas

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Assuntos Amazonas, Corpo de Bombeiros, Encontro das Águas, Manaus, manchete, naufrágio
Felipe Campinas 15 de fevereiro de 2026
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