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Dia a Dia

Vacina da Pfizer contra Covid-19 alcança 90% de eficácia em testes

9 de novembro de 2020 Dia a Dia
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Estudos para criar vacina Foto: Itamar Crispim/Fiocruz
Pesquisas estão em fase de testes (Foto: Itamar Crispim/Fiocruz)
Por Ana Bottallo, da Folhapress

SÃO PAULO – A vacina contra Covid-19 da farmacêutica norte-americana Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech, apresentou mais de 90% de eficácia na análise preliminar dos testes de fase 3, conforme divulgou a própria empresa nesta segunda-feira, 9.

Os resultados ainda são parciais e não correspondem à conclusão do ensaio clínico, mas à análise interina, feita quando há um número suficiente de casos da doença em um dos braços do estudo – de intervenção ou que recebeu placebo –, realizada por um comitê externo à companhia, e apontou uma eficácia elevada da vacina em proteger contra a Covid-19.

Com 94 casos de Covid-19 confirmados em um universo de mais de 43 mil participantes, o comitê científico pôde avaliar a eficácia preliminar da vacina que se mostrou também segura, sem a ocorrência de efeitos adversos sérios.

A vacina da Pfizer, chamada de BNT162b2, utiliza a tecnologia de mRNA (o material genético do vírus) para induzir resposta imune no organismo. Em fases anteriores de estudo, a vacina, administrada em duas doses, estimulou a produção elevada de anticorpos após 28 dias de aplicação.

O presidente e CEO da Pfizer Albert Bourla falou em “grande dia para a ciência e humanidade”. “O primeiro compilado de resultados do nosso ensaio clínico de fase 3 para a vacina da Covid-19 indicou evidência inicial de que a nossa vacina previne contra a Covid-19”.

Os resultados parciais apresentados indicam que o imunizante foi capaz de prevenir a infecção, não apenas proteger contra o quadro agravado da doença, um fator importante para garantir o fim da cadeia de transmissão do vírus e impedir a ocorrência de casos nos indivíduos vacinados. A farmacêutica irá continuar o ensaio de fase 3 até a ocorrência de 164 casos confirmados de Covid-19 dentre os participantes do estudo.

Bourla afirmou ainda que irá submeter para aprovação ao FDA (órgão que regulamenta medicamentos nos Estados Unidos) o uso emergencial da vacina no país até o final do mês, após a obtenção dos resultados dos últimos dois meses de estudo da vacina. A Pfizer pretende produzir 50 milhões de doses até o final de 2020, com capacidade para produzir 1,3 bilhão até o final de 2021.

A vacina é uma das onze mais avançadas na corrida por vacina contra a Covid-19. Dentre as vacinas em última fase de estudos – a terceira fase, quando são avaliados milhares de pessoas –, a Pfizer é a primeira a apresentar resultados interinos da sua candidata à vacina, o que pode colocar a farmacêutica americana à frente das concorrentes.

As outras vacinas atualmente em fase 3 são: a da Universidade de Oxford/AstraZeneca, cujos estudos clínicos foram interrompidos por seis semanas após a ocorrência de um efeito adverso grave em um dos voluntários, já retomados, e cuja produção no Brasil será em parceria com a Fiocruz; a da empresa chinesa Sinovac, produzida no Brasil em parceria com o Instituto Butantan; a da farmacêutica Johnson & Johnson, que também parou os testes na Bélgica e nos Estados Unidos por um período de mais de dez dias após a ocorrência de um efeito adverso desconhecido em um dos voluntários, retomados recentemente; e a da Moderna, em parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.

A Moderna também utiliza plataforma genética para levar até o organismo a informação do Sars-CoV-2 e induzir a produção de resposta imune. Os resultados positivos da vacina da Pfizer podem indicar uma possível direção também de sucesso da vacina da Moderna/Niaid, cujas tecnologias são similares.

Outras vacinas em fase 3 são a Sputnik V e EpiVacCorona, desenvolvidas por institutos de pesquisa da Rússia, que receberam aprovação para uso limitado no país mesmo sem a divulgação dos resultados de fases inicias de testes em humanos, e as desenvolvidas pelas estatais chinesas Sinopharm e CanSino, também aprovadas no país asiático para uso limitado na população e cujos resultados de fases 1 e 2 pouco se sabe até o momento.

A última vacina a entrar na terceira fase de estudos recentemente foi a Novavax, que utiliza fragmentos de proteínas do vírus em sua composição.

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Assuntos Covid-19, destaque, Pfizer, vacina
Cleber Oliveira 9 de novembro de 2020
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