

Por Vívian Oliveira, do ATUAL
MANAUS – O voto em papel e o uso de urna de lona em comunidade da zona rural de Coari (a 309 quilômetros de Manaus) mostrou a ineficiência desse tipo de modelo na eleição. Transportada de barco, a urna demorou dois dias para chegar à sede do município, o que atrasou o fechamento da apuração pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Para Natã Souza Lima, bacharel em Ciências Sociais e doutor em Antropologia pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas), não faz sentido a utilização de urnas manuais em eleições, pois o processo eleitoral seria muito menos seguro e mais lento. Natã Lima diz que com a urna eletrônica, os votos são contabilizados no mesmo dia da votação, de forma digital, coisa impossível com um sistema de votação impressa.
“Essas substituições, em caso de falha técnica, são previstas pelo TSE. As urnas manuais são um plano extra, de apoio, para que a votação seja encaminhada. Mas não é um problema grave, por mais que alguns estejam seguindo as fake news (notícias falsas) sobre a confiabilidade das urnas e do sistema de votação”, explicou Natã.
De acordo com o sociólogo, não há motivos para pensar em uma eleição com uma urna manual e voto impresso. “Nosso sistema de votação eletrônico está consolidado. Além disso, o transporte das urnas, sejam elas eletrônicas ou manuais, compõe um plano de logística do TRE que organiza, inclusive, a segurança do transporte dos equipamentos e dos dados”, destacou Natã.
Retrocesso
Para Lucas Misael de Souza Barbosa, cientista político pela Uninter (Centro Universitário Internacional), o voto impresso representaria mais um retrocesso, presentes na atual política de desmonte bolsonarista.
“As estruturas de hoje foram construídas a duras custas na história, tão visceral e cheia de contradições que é a da formação do Brasil”, ressaltou.
Essa precarização, segundo Lucas, não é fruto apenas de falta de habilidade ou compreensão da realidade por parte dos elaboradores, mas de um maior controle sobre o processo eleitoral, que é hoje um dos mais sofisticados do mundo e que não apresenta problemas com demora de apuração ou risco de fraude.
“O sistema atual possibilita a criação de sistemas que controlem ainda mais pequenas comunidades ou mesmo exclua zonas de votação com a perda de urnas e outras intempéries que possam ocorrer, de forma proposital ou por problemas no manuseio de itens obsoletos”, afirmou.
“O aprimoramento de nosso sistema deve estar sempre em discussão. Todavia, devemos olhar para frente e não apelar para meios arcaicos que engessam nossos processos”, concluiu Lucas.
