
Por Iolanda Ventura da Redação
MANAUS-AM – O único hospital de Balbina, localizado em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), fechará as portas nesta sexta-feira, 29, de acordo com comunicado da Eletrobrás Amazonas Energia, divulgado durante audiência pública na Câmara Municipal da cidade. A paralisação das atividades no hospital pode afetar oito mil pessoas. Nas redes sociais, moradores da Vila de Balbina pedem ajuda e mobilizam a comunidade para manifestação nesta sexta-feira, às 16h30, em frente à unidade de saúde.
O hospital foi construído para atender aos funcionários da Eletronorte e operários durante a construção da Usina Hidrelétrica de Balbina, nos anos 1970-1980. Com o fim das obras, os operários foram embora, poucas pessoas permaneceram no local e o hospital começou a reduzir os atendimentos. “O atendimento a população resolveu uma questão humanitária, pois o hospital é particular. Hoje, com a criação da AMGT (Eletrobrás Amazonas Geração e Transmissão de Energia), o hospital está impedido de renovar a concessão junto aos conselhos Federal de Medicina, de Farmácia e Química, pois o ramo de atividade da empresa é gerar e transmitir energia elétrica, portanto, incompatível com serviços de saúde pública.”, informam os moradores em uma carta de reivindicação.
Conforme o documento, a empresa está em negociação para a transferência da responsabilidade para a prefeitura municipal, que exige compensação financeira. Com os contratos terminando e com a impossibilidade de conseguir a concessão de operação dos conselhos, vai encerrar suas atividades. “É imprescindível que o ambulatório se mantenha aberto, pois recebemos turistas que vem de Presidente Figueiredo, de outros interiores, de Manaus, de outros estados e até mesmo do exterior e principalmente a população que necessita do mesmo. É um direito da população atendimento médico de qualidade e com o fechamento do hospital a população se encontra desamparada”, diz o comunicado.
O deputado José Ricardo (PT) disse que o fechamento do hospital é consequência da privatização da empresa. “Já falávamos que, ao privatizar estatais, ações sociais que não dão lucro, como o Luz para Todos e agora serviços na área da saúde, não serão priorizadas e tendem a ser desativadas. Por isso, estamos solicitando um prazo maior para esse fechamento e que o Governo possa absorver essa unidade na rede pública”, disse.
As famílias que ficarão sem atendimento imediato em Balbina são: Vila Balbina, Ramal da Morena, Bela Vista, Macaca Bóia, no Rio Uatumã; pela AM-240, desde a Comunidade São Miguel km 50, Nossa Senhora de Nazaré km 62, Fé em Deus km 66 e todos que moram no Lago de Balbina.

