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Dia a Dia

União pede que Justiça reconsidere decisão que mandou PF proteger índios em Nova Olinda (AM)

10 de agosto de 2020 Dia a Dia
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Naufragio Nova Olinda do Norte (Foto: Bombeiros/Divulgação)
Decisão também ordena que o Estado não impeça a circulação de comunitários (Foto: Bombeiros/Divulgação)
Da Ascom MPF

MANAUS – A União Federal pediu ao juiz Lincoln Rossi Viguini que reconsidere a decisão que determinou, em decisão liminar, que a Polícia Federal adote as medidas cabíveis para proteção dos indígenas e populações tradicionais do município de Nova Olinda do Norte (a 134 quilômetros de Manaus) e região. Neste domingo, 9, o magistrado deu prazo de 24 horas para o MPF (Ministério Público Federal) se manifestar sobre o pedido.

A decisão contestada pela União considerou as fronteiras com Borba e Maués, no Amazonas, com envio de efetivo à região em razão dos potenciais abusos e ilegalidades relatados pelos comunitários que habitam o local em operação deflagrada pela SSP (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas) no Rio Abacaxis na última segunda-feira, 3. A decisão foi proferida após ação ajuizada pelo MPF e DPU (Defensoria Pública da União).

A decisão judicial também determina que o Estado não impeça a circulação dos povos indígenas e ribeirinhos na região, que faz parte dos Projetos de Assentamento Agroextrativistas (PAEs) Abacaxis I e II, nos municípios amazonenses de Borba e Nova Olinda do Norte. Em caso de descumprimento, foi estabelecida pena de multa diária de R$ 100 mil ao Estado.

Entre os relatos colhidos pelo MPF estão a ocorrência de invasão das casas dos comunitários, sem qualquer autorização ou mandado judicial, apreensão de telefones celulares usados para registrar os abusos, uso desproporcional de armas de fogo para intimidar os moradores, inclusive idosos e crianças, e a restrição de circulação no rio Abacaxis, impossibilitando o envio de alimentos e mantimentos e o socorro aos feridos pelas ações da Polícia Militar.

Na decisão, a Justiça Federal destaca a necessidade e a urgência das medidas determinadas, “especialmente em razão das informações constantes nos autos de supostas violações de direitos”, citando, notícia trazida pelo MPF de que há a informação de homicídio de indígenas da etnia Munduruku na região, o que demonstra que é necessária a imediata intervenção judicial.

Histórico

De acordo com o pedido encaminhado à Justiça pelo MPF, durante o primeiro dia da operação, realizada supostamente para coibir o tráfico de drogas na região, os agentes não se identificaram mesmo após horas de atuação e abordagem inicial por lideranças extrativistas.

Nesta abordagem de monitoramento pelas lideranças ocorrida no dia 03 de agosto pela manhã, foi informado ao MPF que nenhum dos presentes usava farda ou uniforme policial. Os policiais faziam uso de embarcação particular, a mesma que motivou, nos dias 23 e 24 de julho, conflito grave com os comunitários, por conta do uso do rio Abacaxis para pesca esportiva sem licença ambiental, e culminou em suposto atentado contra um dos tripulantes, o secretário-executivo de Estado Saulo Resende.

Secretário-executivo Saulo Resende foi baleado na região do Rio Abacaxis dez dias antes da operação da SSP (Foto: Reprodução)

Leia: Secretário-executivo do Estado foi pivô de conflito que resultou na morte de policiais

Tal uso aliado à não identificação inicial, causou pânico em todas as comunidades e aldeias pensando se tratar de ato privado de vingança.

Os agentes policiais, nas abordagens nos dias que se seguiram, chegaram a informar alguns moradores que estavam no local em busca do possível autor do disparo contra o secretário. Em contato telefônico, o secretário estadual de Segurança Pública assegurou ao MPF que a operação tinha sido motivada por denúncias de tráfico de drogas e confirmou o uso da embarcação particular nos trabalhos. Ao fim do dia 3, foi confirmada a morte de dois agentes e outros dois policiais feridos. Há relatos da morte de cinco comunitários, ainda sob apuração.

No dia seguinte, a SSP enviou efetivo de 50 policiais, incluindo o comandante da Polícia Militar no Amazonas, coronel Ayrton Norte, para reforçar a ação no local. A partir daí, o MPF passou a receber relatos de diversos atos de abuso e violação de direitos por parte da Polícia Militar contra moradores tradicionais do rio Abacaxis.

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Assuntos destaque, Justiça Federal, MPF, Nova Olinda do Norte, PF, SSP-AM
Redação 10 de agosto de 2020
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