
Por Valmir Lima, do ATUAL*
MANAUS – A rodovia BR-319 voltou a ter tráfego de carros pequenos, e ônibus de linha do transporte interestadual voltaram a operar nos últimos meses. Os atoleiros nos pontos mais críticos foram minimizados com serviços que o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) passou a executar desde o segundo semestre de 2023, quando o atual superintendente no Amazonas, Orlando Fanaia, assumiu o cargo.
O Dnit passou a usar uma tecnologia conhecida em regiões do país com solos enxarcados, como o solo da várzea amazônica: o Rachão. É com essa tecnologia que estão sendo recuperado os primeiros 20 quilômetros da pista que obteve o licenciamento ambiental em 2022, de um total de 52 quilômetros, a partir do quilômetro 195 da rodovia.
Depois de feita a terraplanagem, o pavimento recebe uma camada de 20 centímetros de pedra, que é amarrada com pó de brita, e comprimida por rolo compressor. Depois, uma outra camada 15 centímetros de BGS (Brita Granulada Simples) é aplicada sobre as pedras. Trata-se de uma mistura de brita 1, brita zero e pó de brita. O asfalto é a última camada, com 7,5 centímetros, formando uma estrutura de 42 centímetros de pavimento.

Essa mesma tecnologia com pedras foi aplicada nos trechos mais críticos da rodovia, para evitar o atoleiro. O resultado é que mesmo no período de chuvas, a estrada se manteve aberta para o tráfego, mas com graus de dificuldades em alguns pontos. Agora, com a chegada do verão amazônico, o tráfego de veículos aumentou.
Esse material chega ao canteiro de obras trazido por balsas. A maior parte das pedras vêm do Estado de Rondônia. As balsas chegam por rios que cortam a rodovia e o material é transportado por caçambas até o local da obra. O transporte é um dos principais fatores que encarece o custo da obra.
O custo desse serviço não é baixo. Cada quilômetro de estrada asfaltada sai por R$ 7 milhões e R$ 250 mil. Os 20 quilômetros que estão sendo executados foram licitados por R$ 145 milhões.


Pé na estrada
A reportagem do ATUAL esteve na BR-319 a convite do superintendente do Dnit, Orlando Fanaia Machado, e da assessoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM), numa viagem que percorreu 215 quilômetros, até uma unidade do Dnit.
A primeira parada foi na ponte sobre o Rio Curuçá, que desabou no dia 22 de setembro de 2022. A estrutura, que terá cinco tabuleiros, já está com os dois tabuleiros das cabeceiras concluídos. Orlando Fanaia reafirmou que os trabalhos serão concluídos e a ponte entregue até o final de setembro deste ano.
A segunda parada foi no Rio Autaz Mirim, onde também a ponte desabou 11 dias depois da primeira. Ali os trabalhos estão sendo realizados em terra, mas o superintendente do Dnit assegura que ela será concluída até dezembro deste ano.


A extensão das duas pontes foi ampliada. A primeira, sobre o Rio Curuçá, no Km 23, no perímetro do Careiro da Várzea, quando finalizada terá 150 metros de comprimento, 60 metros a mais do que a original. Ela está 75% concluída e o custo final será de R$ 28 milhões.
Um quilômetro a frente, a nova ponte sobre o Rio Autaz Mirim, no Km 24, vai medir 210 metros de comprimento, também 60 metros a mais que a anterior. A ponte está em fase inicial com a fundação de novas vigas de sustentação. O investimento é de R$ 30 milhões, segundo Fanaia.
Enquanto as pontes não ficam prontas, o Dnit improvisou a travessia com balsas fixas e acesso e elas com aterro usando a tecnologia do rachão. A estrutura suporta a travessia de todos os tipos de veículos, leves e pesados.




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*O repórter Valmir Lima foi até o quilômetro 215 da BR-319 na quarta-feira (6) a convite da superintendência regional do Dnit e da assessoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM).
