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Política

Tombini admite que política fiscal comprometeu economia do País

26 de maio de 2015 Política
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O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, (Foto: Alessandro Dias/PT)
O presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que o Brasil deve passar por um novo ciclo fiscal (Foto: Alessandro Dias/PT)

Por Estadão Conteúdo/ATUAL

BRASÍLIA – O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse nesta terça-feira, 26, pela primeira vez, que a política fiscal adotada pelo governo Dilma Rousseff desde 2008 não apenas foi ineficaz para gerar crescimento, como também comprometeu a economia do País.

Segundo o presidente do BC, as medidas adotadas “não só não promoveram crescimento como comprometeram a economia do País”. Ele ressaltou que o que o Brasil faz neste momento é restabelecer esforço fiscal, com o objetivo de se preparar para “um novo ciclo fiscal”. “Temos que enfrentar esse período de desaceleração da economia. Ter um sistema saudável capaz de enfrentar esse período”, disse.

Ele afirmou que será visto ao longo dos próximos meses uma queda na inflação, com redução significativa do índice no início do ano que vem. Os dados no início de 2015, entretanto, dificilmente serão piores que os primeiros meses deste ano, quando o governo realinhou os preços administrados. Para Tombini a expectativa do mercado de que a inflação termine 2016 em 5,5% é positiva, “porém não suficiente para o cumprimento do nosso objetivo”, que é atingir o centro da meta, de 4,5%.

Segundo Tombini, há um evento importante neste ano, que é a normalização das condições monetárias da economia americana. “Deve ser mais para o fim do ano”, ponderou.

O presidente do BC disse que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda tem fatia grande no mercado de crédito de longo prazo. Ele lembrou que o banco, seguindo orientação dos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa, irá atuar com recursos escassos, estimulando o mercado de capitais.

“É importante fazer com que os recursos escassos do BNDES sirvam para alavancar o mercado de capitais brasileiro, que avançou bastante nas últimas décadas, mas que precisa avançar nos instrumentos de dívidas do setor privado”, disse. Ele ressaltou que a medida deve incentivar a emissão de debêntures de infraestrutura, que têm como objetivo fazer com que o crescimento não fique dependente do BNDES.

Tombini afirmou que o País observa a continuação do processo de ajuste de preços relativos. Segundo ele, são realinhados os preços domésticos em relação aos internacionais, por causa do fortalecimento do dólar, e também os preços administrados.

Tombini disse ainda que os tópicos “inflação” e “estabilidade financeira” são as missões do BC e suas preocupações. “Inflação, inflação e estabilidade financeira (são as missões do BC)”, afirmou.

Questionado sobre o índice elevado apresentado pela inflação, apesar das altas nas taxas de juros, Tombini respondeu que alguns fatores levaram a esse movimento, citando a valorização internacional do dólar e o reajuste de preços administrados. “O que nós estamos fazendo é circunscrever esses ajustes a esse ano de 2015”, disse.

Tombini disse ainda que o processo de monitoramento de lavagem de dinheiro no País está funcionando. Ele afirmou que o órgão tem um sistema de prevenção à lavagem de dinheiro. “O que cabe ao BC, temos que nos certificar que as instituições estão seguindo as políticas de prevenção”, disse.

 

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Assuntos ajuste fiscal, Alexandre Tombini, banco central
Valmir Lima 26 de maio de 2015
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