
Por Gabriel de Sousa e Geovani Bucci, do Estadão Conteúdo
SALVADOR – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu ao relatório anual do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) que aponta o Pix como uma das principais barreiras impostas pelo Brasil aos interesses comerciais americanos. De acordo com Lula, o Brasil não vai mudar o mecanismo por conta do interesse americano.
“Os Estados Unidos fizeram um relatório, nesta semana, sobre o Pix e eles disseram que o Pix distorce o comércio internacional, porque o Pix, acho que, cria problemas para a moeda deles. É importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir. O Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira. O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens deste país”, afirmou Lula.
A declaração do presidente ocorreu durante uma agenda em Salvador (BA). Lula já se encaminhava para o fim do discurso quando o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, se aproximou do presidente e disse: “Fala o negócio do Pix”.
Além do Pix, o relatório do USTR disse que a “taxa das blusinhas” e as propostas de regulação de redes sociais são obstáculos para o comércio dos Estados Unidos.
Sobre o Pix, o documento diz que o Banco Central “criou, detém, opera e regula” o sistema de pagamentos instantâneos, levantando preocupações de que haja tratamento preferencial à plataforma pública em detrimento de provedores estrangeiros de serviços financeiros.
O documento do USTR faz parte da Seção 301, uma legislação que investiga supostas práticas comerciais desleais que prejudicam a economia americana. Essa apuração pode embasar futuras sanções vindas dos Estados Unidos, como a imposição de tarifas adicionais.
Alckmin
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), também defendeu o Pix. “O Pix é um sucesso. Não existe nenhum problema em relação ao Pix. É só esclarecer”, afirmou em conversa com jornalistas nesta quinta-feira (2) ao se despedir da pasta. Alckmin não precisa sair da vice-presidência, mas precisa deixar o ministério para se candidatar na eleição deste ano.
Alckmin disse que o Brasil não é problema para os EUA, pois eles têm superávit na balança de bens e serviços com o país. E disse que a ideia é aumentar a complementaridade e a troca de investimentos. “Nosso trabalho é aumentar esse diálogo, essa parceria, essa cooperação”.
Sobre a data para reunião com o presidente americano, Donald Trump, o vice disse não haver agendamento, afirmando apenas que o presidente Lula “sempre caminha para o diálogo”. “As conversas do presidente Lula com o presidente Trump foram muito positivas. Eu acho que a gente pode avançar mais nesse diálogo”.
