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Política

Sete testemunhas que defenderiam Chiquinho Brazão no Conselho de Ética faltam

9 de julho de 2024 Política
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Chiquinho Brazão é deputado federal e irmão do conselheiro do TCE-RJ, Domingos Brazão (Foto: Maria Agras/Agência Câmara)
Deputado afastado Chiquinho Brazão é acusado de ser mandante da morte da vereadora Marielle Franco (Foto: Maria Agras/Agência Câmara)
Por Levy Teles, do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – Apenas uma das oito testemunhas convidadas pela defesa do deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) depôs no Conselho de Ética nesta terça-feira, 9. Marcos Rodrigues Martins, que foi assessor de Brazão na Câmara Municipal do Rio, foi o único que resolveu depor no caso que pode resultar na cassação de Brazão, preso sob a acusação de ser o mandante do assassinato da ex-vereadora do Rio Marielle Franco.

A falta dos demais depoentes incomodou a defesa do parlamentar. “Servidores públicos tem o dever funcional de prestar depoimento O Conselho não terá elementos suficientes para decidir da existência ou não do próprio fato”, argumentou o advogado Cléber Lopes, que apelou para a relatora, Jack Rocha (PT-ES).

Brazão tinha pedido para que, entre outros, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e Elcio Queiroz, acusado de ser um dos executores de Marielle, testemunhassem no Conselho de Ética. Eles optaram por não participar. Todas as pessoas chamadas são apenas convidadas – isto é, não têm a obrigação de comparecer – para dar o testemunho.

Durante o seu relato, Marcos Rodrigues Martins minimizou a participação de Brazão em projetos de lei que tratavam de políticas fundiárias, elemento apontado pela Polícia Federal para o assassinato de Marielle.

“O primeiro (projeto de lei) é de março de 2015, foi de autoria do Poder Executivo, aí alterado pelo vereador Brazão”, argumentou inicialmente. Depois, ele disse que a nova redação de outro projeto de lei “passou pelo trabalho de mais de dez comissões”, não apenas a do então vereador. Martins trabalhou diretamente com ele na Comissão de Assuntos Urbanos, então presidida por Brazão.

A delação do ex-policial militar Ronnie Lessa, autor confesso das mortes e delator, porém, diz que a atuação de Marielle para barrar projetos do tipo iria contra “os interesses dos Brazão no tocante a políticas fundiárias, em especial, em áreas de milícia”.

A proposta “flexibilizava as exigências legais, urbanísticas e ambientais para a regularização dos imóveis”, diz a PF. A bancada do PSOL foi contra o projeto, mas ele acabou aprovado. Depois, a lei foi declarada inconstitucional.

Mais cedo, o deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ), fez o seu testemunho. Convidado pela relatora, ele disse que Marielle era o principal obstáculo para as milícias no Rio.

“Marielle era obviamente aquela que representava a maior ameaça aos interesses políticos da milícia naquele momento”, afirmou. “(O projeto de lei) serve como exemplo cristalino como a bancada do PSOL se tornou um obstáculo para os objetivos econômicos e políticos da milícia do Rio de Janeiro.”

Como mostrou a Coluna do Estadão, o caso de Chiquinho Brazão no Conselho de Ética deve acabar apenas em setembro. Isso significa que ele continua como deputado federal até lá, o que pode somar mais de R$ 400 mil em salários para ele e os 25 funcionários do gabinete no período.

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Assuntos Câmara dos Deputados, Chiquinho Brazão, Conselho de Ética, Marielle Franco, testemunhas
Valmir Lima 9 de julho de 2024
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