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Política

Sem citar desmatamento, Salles defende contribuição do setor privado para o clima

10 de dezembro de 2019 Política
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desmatamento
Neste ano, o desmatamento subiu 29,5% na Amazônia Legal em relação ao ano passado (Foto: ABr/Agência Brasil)
Por Ama Carolina Amaral, da Folhapress

MADRI, ESPANHA – “O Fundo de Adaptação tem US$ 100 milhões, provavelmente menos do que o custo das despesas de organização de tantas COPs”, disse o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles na tarde desta terça-feira na COP-25, conferência sobre mudanças climáticas da ONU.

O discurso de cerca de três minutos focou desafios financeiros das mudanças climáticas e foi direcionado para seus pares, os ministros de Meio Ambiente de mais de 100 países.

Salles defendeu que os projetos negociados no mercado de carbono que funcionou sob o Protocolo de Kyoto, acordo climático anterior a Paris, sejam adaptados para continuarem valendo sob o Acordo de Paris.

Embora o cargo de ministro do Meio Ambiente do Brasil responda pelas políticas de controle do desmatamento da Amazônia, bioma que é fonte de preocupação nas conferências da ONU por sua importância para o clima, o discurso de Salles não faz referência a esforços ou comprometimento do governo com a redução do desmatamento – que subiu 29,5% na Amazônia Legal neste ano, em relação ao ano passado.

A única referência ao termo ‘desmatamento’ no seu discurso se refere às responsabilidades históricas dos países desenvolvidos pelas emissões de gases-estufa – embora, no caso do bloco desenvolvido, as emissões históricas se devam aos combustíveis fósseis, queimados em larga escala nesses países desde a Revolução Industrial.

Já no Brasil, a maior parte das emissões de gases-estufa vêm do setor de florestas e mudança do uso do solo, que dependem de políticas de controle ambiental concentradas no governo federal.

“Um país que desenvolveu o biocombustível etanol, uma fonte renovável de energia, substituindo os combustíveis fósseis amplamente utilizados nos países ricos, 84% de nossa rede elétrica é baseada em fontes de energia renováveis (biomassa, eólica, solar e hidrelétrica), em oposição a muitos outros países que ainda dependem muito do carvão para abastecer seus chamados carros elétricos, altamente simbólicos”, disse o ministro.

“Todos esses dados não são considerados adequadamente quando as pessoas se referem aos desafios enfrentados pela região amazônica. O Brasil está fortemente comprometido com a luta contra as mudanças climáticas em benefício de todo o planeta”, continuou.

O mercado de carbono que funcionou no Protocolo de Kyoto “Essa foi uma grande contribuição do nosso setor privado para combater as mudanças climáticas”, disse Salles ao argumentar pela manutenção dos moldes do mercado de carbono que funcionava no Protocolo de Kyoto, que não incluía o setor de florestas.

A posição já era defendida pelo Itamaraty, que também já vinha defendendo nas COPs anteriores que os países ricos cumprissem suas obrigações de financiamento acordadas nos anos anteriores – o chamado “pré-2020”.

Em 2009, os países desenvolvidos prometeram um financiamento de US$ 100 bilhões até 2020, que se tornariam anuais após 2020. Reforçada pelo ministro, a cobrança da promessa é feita constantemente pelo Itamaraty junto aos blocos de países em desenvolvimento e economias emergentes.

A partir de quarta, 11, os ministros assumem o comando das negociações da COP e devem correr contra o tempo para fechar em três dias um acordo sobre a regulamentação de mecanismos de cooperação para a o cumprimento de Paris, sendo o mercado de carbono o principal deles.

O desafio consiste em uma diferença fundamental entre os dois acordos climáticos: antes, só os países desenvolvidos tinham obrigações de reduzir emissões de carbono. A matemática e a prestação de contas ficam mais complicadas no Acordo de Paris, quando todos os países têm metas de reduzir emissões.

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Assuntos COP-25, ONU, Ricardo Salles
Redação 10 de dezembro de 2019
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