
Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — Uma ação social que ofereceria serviços médicos e jurídicos em Urucará (a 259 km de Manaus), com a participação de 40 profissionais voluntários neste sábado (30), foi cancelada depois que a Seduc (Secretaria de Educação do Amazonas) revogou a liberação do Ceti (Centro Educacional de Tempo Integral) Pedro Falabella. Os organizadores veem motivação política na decisão.
Denominada Raízes Que Cuidam, a ação social é coordenada pelo médico Yago Felipe Alves Gentil e seria realizada pela primeira vez. O evento incluiria atendimentos médicos em diversas especialidades, como cardiologia, pediatria e psiquiatria, além da oferta de exames, serviços odontológicos e assistência jurídica.
No dia 1º de agosto, Yago enviou ofício à Seduc solicitando o espaço. Em 14 de agosto, a secretária executiva adjunta do Interior, Ana Maria Araújo de Freitas, autorizou o uso do Ceti e informou que a segurança, o bom uso, a limpeza e a manutenção do local seriam de responsabilidade dos organizadores da ação social, que deveriam tratar diretamente com a gestão da escola.
Na quarta-feira (27), a secretária de Estado de Educação, Arlete Mendonça, enviou um novo ofício a Yago pedindo para que ele desconsiderasse o documento assinado por Ana Maria. Arlete alegou que a escola não poderia ser liberada porque no sábado “não há expediente na referida instituição, bem como não haveria servidores para possibilitar o acesso e acompanhar a execução da ação”.
Para Yago, a decisão da Seduc tem teor político. “Não tem outra explicação. Uma ação dessa magnitude, com tantos especialistas, expõe a principal fragilidade do município, que é a saúde local — marcada pela falta de médicos, por profissionais sem CRM atendendo nos postos e pela ausência de especialistas”, disse Yago.
O deputado federal licenciado Saullo Vianna, que é do União Brasil, mesmo partido do governador Wilson Lima, e um dos apoiadores da ação social, afirmou em vídeo nas redes sociais que a decisão da Seduc foi influenciada pelo ex-prefeito de Urucará, Enrico Falabella, sobrinho do atual prefeito, Bosco Falabella (União Brasil). Segundo ele, a mudança de posicionamento ocorreu após a divulgação do material da ação, que trazia seu nome como “apoiador cultural”.
“Tenho a informação de que quem pediu à Seduc para negar o uso do Ceti, impedindo a realização da ação social, foi o ex-prefeito Enrico Falabella. Se tiver coragem, Enrico, negue publicamente o que estou afirmando. Assim, poderemos comprovar quem, de fato, está promovendo perseguição política em Urucará para prejudicar a população do município”, afirmou Saullo.
“Que o ex-prefeito é pequeno, covarde e incompetente, isso eu já sabia. Agora, o Governo do Estado concordar com esse tipo de atitude é algo preocupante e que deve ser sempre repudiado. Essa atitude não vai prejudicar a mim muito menos os amigos que iriam fazer essa ação social. Isso vai unicamente prejudicar o povo da cidade de Urucará”, completou Saullo.
Saullo, que é ex-aliado do governador Wilson Lima e atualmente ocupa o cargo de secretário de Assistência Social de Manaus, também fez ataques ao Governo do Amazonas. Ele disse que “pessoas pequenas e covardes que estão à frente do Governo do Amazonas” e que ele e os organizadores não vão se curvar a “esse tipo de atitude pequena e mesquinha”.
De acordo com Yago, a ação social deverá ser realizada em outro momento.
O ATUAL pediu explicações à Seduc sobre a decisão de cancelar a liberação do Ceti, mas até a publicação desta matéria nenhuma resposta foi enviada.
