
Do ATUAL
MANAUS – A seca causada pela estiagem severa diminuiu a profundidade abaixo do normal dos rios Amazonas, Negro, Solimões e Madeira, principais vias fluviais da Amazônia. A constatação é do Serviço Geológico do Brasil, que divulga o 36º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas.
Nessa região hidrográfica o “processo de declínio” dos rios é de 14 centímetros diários, em média, no município de Parintins (AM), e 12 centímetros em Óbidos, no Pará. Em Itacoatiara (AM), a descida do nível do rio tem sido maior e a cota registrada está 3 metros abaixo da normalidade para o período.
Na Bacia do Rio Negro, as águas desceram, em média, 14 centímetros por dia em São Gabriel da Cachoeira e 12 centímetros em Barcelos. Em Manaus, as variações estão na ordem de 25 centímetros ao dia. Na orla da capital, o rio está 2,60 metros abaixo do “intervalo da normalidade” para a época. Neste terça-feira (10), a profundidade é 17,47m no Porto de Manaus – o rio secou 26m desde o dia 1º de setembro. Na segunda-feira (9), o nível foi de 17,73m.
Na comparação com 2023, no dia 10 de setembro a cota do Rio Negro em Manaus foi de 21,72m. Naquela data, a vazante foi de 25 metros desde o dia 1º.
O Rio Solimões em Tabatinga atingiu seu menor nível de menos 135 centímetros, na terça-feira (3), mas houve oscilações com pequena elevação de 4 centímetros. As demais estações do Solimões, monitoradas pelo Serviço Geológico do Brasil, apresentam descidas médias diárias de 6 centímetros em Fonte Boa e 25 centímetros em Manacapuru.
Na segunda-feira (9), o Rio Madeira, em Porto Velho, atingiu a cota de 0,96 metros, o menor nível observado desde o início da série histórica do Serviço Geológico Brasileiro em 1967, há 57 anos. Em Humaitá, o Madeira apresenta declínios médios de 7 centímetros ao dia, mas os níveis são considerados baixos para a época.
O boletim também informa que, no período de 5 de agosto a 3 de setembro de 2024 permanece o quadro de chuvas “abaixo da climatologia na região monitorada com déficit de precipitação” sobre a quase totalidade das bacias monitoradas na parte ocidental da Amazônia.

A vazante é diária, conforme registro da Estação Hidrográfica do Porto de Manaus, e coincide com aumento da temperatura na capital. Segundo a MetSul, a temperatura no Amazonas neste mês de setembro deve oscilar entre 38ºC e 40ºC, podendo atingir até 42ºC.
“O [fenômeno] La Niña ainda não começou efetivamente (mais chuvas no Oceano Pacífico). Ainda estamos na transição climática. Essa seca ainda é resultado do El Niño, que permaneceu na bacia até meados de junho de 2024 e influenciou o regime de chuvas que foi abaixo do normal em boa parte da região na época que seria para encher os rios. Assim, os níveis da cheia não foram normais para algumas calhas e justamente são as mais afetadas neste momento”, disse a pesquisadora Jussara Cury, do SGB.
A MetSul Meteorologia atribui o aumento da temperatura a uma massa de ar quente, causada por pressão atmosférica, que está cobrindo boa parte do Brasil e deve se intensificar nos próximos dias. O fenômeno intensifica a formação do ar quente de cima para baixo dificultando a formação de nuvens de chuva e deixando o tempo mais seco.
Segundo o Climatempo, a maior temperatura registrada no país foi de 44,8°C em Araçuaí, em Minas Gerais, no dia 19 de novembro de 2023.
