
Do ATUAL, com informações da assessoria do ICMBio
TEFÉ (AM) – Desde o dia 16 de setembro, o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) implementou um Sistema de Comando de Incidentes em Tefé, no Amazonas, para monitorar diariamente as condições dos botos na região, com foco na medição da temperatura da água e no comportamento dos animais.
O objetivo é evitar a repetição das 154 mortes de botos-vermelhos e tucuxis ocorridas na região em 2023, em meio à seca severa. Mais de 50 profissionais, entre biólogos, veterinários e ecólogos, estão envolvidos na operação de monitoramento, que acontece duas vezes ao dia.
Até o momento, os botos-vermelhos e tucuxis têm apresentado comportamento normal em termos de nado, respiração e alimentação. A presença de filhotes sugere que, apesar das condições extremas, as espécies continuam se reproduzindo.
“Os avistamentos de botos têm aumentado, inclusive fêmeas com filhotes, possivelmente devido às recentes chuvas, mesmo com o nível do rio ainda baixo”, explica Karen Lucchini, bióloga e mestre em Biologia Animal pela UFPB (Universidade Federal de Pernambuco).

Apesar da seca intensa em 2024, o número de mortes de animais tem sido inferior ao ano passado. Foram registradas cinco mortes de animais até o momento, sendo um filhote de tucuxi, um peixe-boi e três botos-vermelhos, todos em decorrência de ações antrópicas.
“Embora a seca esteja mais intensa, as mortes registradas em Tefé estão relacionadas, principalmente, à interação com embarcações e pesca”, afirma Claudia Sacramento, analista ambiental e coordenadora de emergências climáticas do ICMBio.
A seca severa de 2023, intensificada pelas mudanças climáticas e pelo fenômeno El Niño, resultou na morte de 154 botos no Lago Tefé, levando o ICMBio a reforçar as ações de proteção em 2024. Com chuvas abaixo da média, a ANA (Agência Nacional de Águas) declarou escassez hídrica em várias bacias da região, agravando o cenário para a fauna aquática.
A temperatura média da água na área monitorada tem se mantido estável em torno de 31,2°C, mas o ICMBio alerta para o risco de novas ameaças decorrentes da pesca e caça ilegais.
Além do monitoramento das condições ambientais, o ICMBio tem intensificado a fiscalização para conter as atividades que aumentam a pressão sobre espécies como o peixe-boi e o pirarucu, de grande valor econômico para as comunidades locais.
“A seca também intensificou a pressão da caça dos peixes-boi, já que ficaram mais expostos e visíveis. Até mesmo os próprios botos e tucuxis foram vítimas dessa ação criminosa, considerando que eles compartilham os mesmos ambientes”, destaca Sacramento.
Durante fiscalização realizada em 24 de setembro, em parceria com o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), o ICMBio apreendeu 422 quilos de pirarucu e um peixe-boi-da-amazônia em uma feira de Tefé. A seca que atinge a região intensifica a ameaça de caça aos animais ameaçados de extinção, inclusive o peixe-boi.
