
Por Sofia Aguiar e Renan Monteir, do Estadão Conteúdo
RIO DE JANEIRO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva depositou parte do êxito do Brasil à Petrobras, durante discurso de posse de Magda Chambriard no comando da estatal. De acordo com o chefe do Executivo, se a empresa der certo, o País também dará certo.
“Para mim, tem uma certeza na minha cabeça: se a Petrobras der certo, o Brasil dá certo; se a Petrobras der errado, significa que o Brasil também vai dar errado”, disse Lula na cerimônia realizada nesta quarta-feira, 19, no Rio de Janeiro. “Eu torço, luto e morro para que o Brasil dê certo.”
No discurso, Lula elogiou a nova presidente da empresa. Em sua avaliação, Chambriard tem a competência e todas as credenciais para tocar os desafios da companhia. Segundo o petista, a estatal merece a oportunidade de ser comandada por mulheres.
Ataques da elite política e econômica
O presidente Lula declarou que a Petrobras sofreu “ataques” de grupos econômicos e avaliou que empresa tem resistido mesmo “com tentativas de desmonte do patrimônio”.
“Petrobras sofreu ataques da elite política e econômica do País, sem compromisso de melhoria de vida do povo”, declarou.
Para Lula, a Petrobras, na nova gestão, não tem “medo de desafios”, em referência ao plano estratégico de investimentos da empresa. O plano referente ao período de 2024 a 2028 tem previsão de investimentos na casa de US$ 102 bilhões.
Fonte de receita
O presidente Lula afirmou que a Petrobras é uma das fontes de receitas para o governo, no momento em que a equipe econômica trabalha para recomposição da base fiscal e aumento da arrecadação.
“Quanto mais Petrobras for lucrativa, mais imposto vai pagar e mais (ministro Fernando Haddad) vai ficar feliz”, disse. “Ninguém quer que a Petrobras perca dinheiro, quero que seja uma empresa lucrativa”, acrescentou.
Lula avaliou também que a descarbonização da economia não será motivo para a perda de relevância da Petrobras, que na avaliação dele é uma “empresa de energia”. O portfólio de investimentos da estatal tem focado também em fontes renováveis, uma defesa da gestão do atual governo.
“Os que quiseram destruir a Petrobras jamais conseguiram”, declarou Lula, que também falou do papel da empresa na cadeia de produção de combustíveis e em setores como fertilizantes.
“Interromper investimento em gás natural e fertilizantes foi um dos grandes retrocessos do País”, afirmou. “A Petrobras pode ajudar o País a enfrentar a guerra entre Rússia e Ucrânia”, disse.
Haddad: geradora de royalties
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse durante a cerimônia de posse, que no ministério a estatal é vista como uma geradora de dividendos e de royalties. “A gente tem que olhar para isso”, afirmou.
A declaração foi direcionada ao coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (Fup), Deyvid Bacelar, que minutos antes havia cobrado o papel social da empresa.
“A Petrobras representa o que esperamos de uma empresa, que sabe que é uma empresa que tem que prestar conta aos seus acionistas, mas que tem papel estratégico no desenvolvimento nacional, que é o papel de qualquer grande empresa, pública ou privada”, disse Haddad, em discurso ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva .
O ministro ressaltou as oportunidades que a mudança climática irá trazer para o Brasil. “Nós temos a oportunidade de pensar na mudança climática a partir do nosso potencial competitivo, não apenas para o nosso desenvolvimento mas como exemplo de transição para os demais países que não têm os recursos naturais que o Brasil tem, e a Petrobras é a chave disso”, afirmou.
“Queria lembrar também o companheiro, nosso querido Jean Paul, que fez um trabalho com a Fazenda admirável”, afirmou em relação ao ex-presidente da petroleira Jean Paul Prates. “Nós conseguimos, a partir da nova lei de transações, permitir que empresas com capacidade contributiva pudessem se sentar à mesa e fazer acordos que promovessem o desenvolvimento da companhia e o desenvolvimento nacional”, afirmou Haddad, ressaltando que esta semana foi a primeira vez que o instrumento foi utilizado, referindo ao acordo com o Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
Haddad destacou que o acordo com o Carf reduziu uma dívida tributária da estatal de R$ 45 bilhões a R$ 50 bilhões a cerca de R$ 12 bilhões após redução do que já foi pago.
“Eu penso que a Petrobras esta semana deu um grande exemplo de como é possível fazer bem feito um trabalho entre o Estado e uma companhia da importância da Petrobras”, finalizou o ministro.
