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Dia a Dia

Saiba quem foi Margarida Alves, sindicalista que dá nome a marcha camponesa

14 de agosto de 2019 Dia a Dia
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Margarida Alves, a primeira mulher a presidir um sindicato de trabalhadores rurais foi assassinada com um tiro no rosto (Foto: CUT/Reprodução)
Da Folhapress

RECIFE, PE – Ao abrir a porta de casa no início da noite de 12 de agosto de 1983, em Alagoa Grande, na Paraíba, Margarida Maria Alves confirmou seu nome ao desconhecido. Levou um tiro no rosto de espingarda calibre 12.

Aos 50 anos, a primeira mulher a presidir um sindicato de trabalhadores rurais no Brasil e enfrentar fazendeiros e donos dos engenhos de cana-de-açúcar do brejo paraibano caiu na frente do marido e do filho pequeno, que brincava na calçada.

Poucas semanas antes, após inúmeras ameaças de morte por cartas e telefonemas, a líder sindical disse a amigos e familiares: “Da luta não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome”.

Margarida virou símbolo e nome da marcha que chega nesta quarta-feira, 14, a Brasília para lembrar a luta pelos direitos das mulheres e dos homens do campo. Elas se uniram com mulheres indígenas para pressionar o governo Bolsonaro.

Quando foi assassinada por um pistoleiro de aluguel a mando de proprietários de terra da região, segundo denúncia do Ministério Público na época, Margarida movia 72 processos na Justiça do Trabalho contra usineiros e fazendeiros locais.

Assumiu o sindicato em 1971 e ficou 12 anos no comando. Naquele período, notabilizou-se por cobrar carteira assinada, férias, 13º salário e jornada de oito horas por dia para os agricultores.

Caçula de uma família de nove filhos, Margarida viveu até os 22 anos no sítio Jacu, na zona rural de Alagoa Grande. Aos 11 anos, começou a trabalhar na enxada com o pai.

Após serem expulsos da terra, foram morar na periferia do município. No início dos anos 1970, Margarida assumiu o comando do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, fundado em 1962, na época de retomada das Ligas Camponesas em Pernambuco e na Paraíba.

Aliada histórica de Margarida, a ex-sindicalista e repentista Maria da Soledade Leite, 76, assumiu o posto da amiga à frente do sindicato em 1986.

Era uma quinta-feira, e Margarida tinha acabado de chegar do trabalho. “O filho de oito anos brincava na calçada. Um homem bateu na porta e ela abriu. ‘É dona Margarida’? Ela disse: ‘sou’. Pronto. Acabou tudo”, relembra Maria da Soledade.

Na época, o crime teve grande repercussão nacional e internacional e foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Inicialmente, o Ministério Público denunciou três pessoas: Antônio Carlos Regis, apontado como o elo entre fazendeiros da região e os irmãos Amauri e Amaro José do Rego, que seriam os executores.

Em 1988, Antônio Carlos foi absolvido por falta de provas. Um outro homem foi morto, três anos após o crime, após ter confessado participação no assassinato de Margarida.

Em 1995, familiares da sindicalista tiveram esperança em ver os assassinos presos. Em vão. O Ministério Público denunciou os fazendeiros Aguinaldo Veloso Borges, Zito Buarque, Betâneo Carneiro e Edgar Paes de Araújo como mandantes.

Apenas Zito, que ficou três meses preso, foi levado ao tribunal e absolvido em 2001.
A casa simples onde Margarida Alves morou e foi assassinada virou museu no mesmo ano.
Na fachada, a lembrança mais doída da família está pintada em letras grandes.

“Aqui foi assassinada em 12/08/1983 a líder sindical Margarida Maria Alves.” No interior do imóvel, em uma par edes, a frase que marcou a vida da sindicalista: “da luta eu não fujo”.

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Assuntos Marcha das Margaridas, Margarida Alves
Redação 14 de agosto de 2019
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