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Pontes Filho

Reação a assaltos: Desafios à segurança pública – parte 44

10 de fevereiro de 2020 Pontes Filho
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Estatísticas informam que reação a assaltos só obtém êxito em torno de 10% dos casos. Nos demais 90%, o resultado de se reagir a assaltos tem sido gravemente danoso senão tragicamente fatal. Porém, a pesar disso, alardeia a propaganda que possuir armas para revidar e reagir a situações de assaltos é a solução, é a “segurança do indivíduo e da família”.  Nada mais falso e perverso, reflexo do contexto de pós-verdade que se instalou neste tempo.

Desde que passou a ser uma atividade lucrativa, produzir e difundir fake news, gerar ondas de pânico, de ódio e de desinformação tornou-se algo corriqueiro, todavia, com impactos danosos à sociedade. A economia do obscurantismo fomenta correntes entorpecidas pelo ódio, pela ideologia do inimigo, das armas e de outras drogas, químicas, simbólicas e comportamentais. Permanece bastante atual é a conclusão do iluminista Voltaire:

“Aqueles que fazem você acreditar em besteiras podem fazer você cometer atrocidades” (Voltaire, séc. XVIII)

Não que as pessoas ao reagir a assaltos estejam erradas, pois as mesmas tem o direito de resistir a quem lhes viole o direito, mas é que o risco de algo muito pior acontecer é grande demais para se aventurar num revide que pode ser letal.

Não é a vítima a culpada do autor do crime de latrocínio executá-la. Pelo contrário, o assaltante, o ladrão, enfim, o infrator é quem está cometendo algo gravemente errado e danoso – um delito. Algo inteiramente reprovável, penalizável e repudiável. Contudo, deve-se atentar ao fato do assaltante, quase sempre, está nervoso, ansioso, apressado, pois sabe que pode ser preso em flagrante, sofrer repressão ou ser pego pela população e linchado. Isso torna as coisas muito delicadas e aumenta significativamente os riscos de algo ruim acontecer em caso de reação da vítima. Além disso, o delinquente também pode estar com o estado de consciência alterado por conta do uso de alguma substância entorpecente.

Tem sido relativamente frequente em muitas cidades, inclusive em Manaus, pessoas serem assassinadas por reagirem em uma situação de assalto. A reação aos assaltos vem sendo cada vez mais comum. O que está ocorrendo? As pessoas não ponderam mais entre o valor da vida e o preço das coisas? Estariam intoxicadas com a ideologia do inimigo e das armas? Seria também reflexo do descrédito nas instituições do sistema de justiça criminal? O que poderia explicar a indiferença ao senso de risco, a não percepção da situação de perigo extremo, a súbita perda do medo? Que fatores levam as pessoas a reagir aos assaltos, aos roubos e a correr riscos extremos?

Alguns estudos apontam certos fatores para ajudar a compreender a reação das pessoas em situações de assalto. Além da natural indignação, ressaltam a desinformação, a ilusão decorrente da ideologia das armas, a falta de atenção, a irracionalidade do ímpeto ou instinto de defesa, a ânsia de “fazer justiça com as próprias mãos”, a supervalorização do apego às coisas.

A reação voluntária é aquela intencional, até mesmo consciente dos riscos que corre ao resistir ao assaltante. Contudo, mais gravemente arriscada, é a reação involuntária, aquela pela qual a vítima age automaticamente, exercendo apenas o instinto ou ímpeto de defesa, sem estar plenamente consciente do que está fazendo, mas que o delinquente toma como algo afronta e ameaça a si, partindo para produzir a resultado trágico ou fatal. É o caso de alguém que anda com algo muito próximo ao corpo, como por exemplo, a mulher com bolsa, e que mesmo percebendo a mesma ser puxada, resolve resistir ou segurar. O risco de ser alvejada é muito grande. Lamentavelmente, casos como esses não são raros.

Enfim, com vistas a tentar prevenir que situações do tipo tornem-se ocorrências fatais, importa não ser presa ou rebanho da ideologia das armas. Recomenda-se estar atento ao entorno, não criar embaraços nem óbices na ocorrência de um assalto, procurar manter a calma, cooperar, não oferecer resistência. É prudente evitar certos movimentos bruscos ou rápidos demais na situação de assalto e tentar não encarar (contato visual) o infrator, não discutir nem falar mais do que o necessário com o assaltante. Em síntese, não reagir, não ameaçar e tentar encurtar o tempo da situação de roubo ou de assalto. A regra da não reação ao assalto tem feito a diferença para os que não são fatalmente vitimados nem gravemente lesionados nessas situações de extremo risco. Não reagir continua sendo a regra mais segura para preservar a vida e a integridade física das pessoas em situações de assalto.


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Pontes Filho, posse de armas, segurança pública
Redação 10 de fevereiro de 2020
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1 Comment
  • Daniel Borges Oliveira disse:
    20 de setembro de 2025 às 22:34

    Olá. Qual é a fonte dessa estatística mencionada “Estatísticas informam que reação a assaltos só obtém êxito em torno de 10% dos casos. Nos demais 90%, o resultado de se reagir a assaltos tem sido gravemente danoso senão tragicamente fatal.”?

    Responder

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