
Do ATUAL
MANAUS – O relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025 – Especial COP30, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quarta-feira (19), identificou quatro municípios do Amazonas entre os mais violentos da Amazônia Legal no período de 2022 a 2024. As cidades são: Rio Preto da Eva, Coari, Iranduba e Tabatinga.
O estudo usa a taxa trienal de mortes violentas intencionais (MVI) para evitar distorções anuais nos dados e permitir comparação entre cidades de diferentes portes.
No grupo de 20 a 50 mil habitantes, Rio Preto da Eva é o município mais violento da região com taxa trienal de 98,5 mortes por 100 mil habitantes. O relatório informa que o número de assassinatos saltou de 9 em 2022 para 42 em 2023 e caiu para 25 em 2024, após operações policiais. Também cita que a facção Comando Vermelho é dominante no município. Rio Preto tem 25.364 habitantes. O segundo colocado do grupo é Barra do Bugres (MT), com 89 mortes por 100 mil habitantes, seguido por Aripuanã (MT), em terceiro lugar, com taxa de 85,9 por 100 mil pessoas.
Entre municípios com 50 a 100 mil habitantes, Coari aparece em segundo lugar no ranking geral da Amazônia, com taxa trienal de 60,5. O número de MVI cresceu de 33 vítimas em 2022 para 63 em 2024. O relatório cita o narcotráfico, conflitos territoriais e a atuação da base fluvial Arpão como elementos centrais na dinâmica criminal local. O primeiro colocado do grupo é São Félix do Xingu (PA), com 61,20 mortes.
Com taxa trienal de 59,1 por 100 mil habitantes, Iranduba aparece como o terceiro município mais violento do grupo médio. Apesar da forte redução das MVI em 2024, o relatório cita que o município absorve parte da violência de Manaus e registra influência do Comando Vermelho, além de pressões por crimes ambientais e conflitos fundiários.
Localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, Tabatinga possui taxa trienal de 57,6 mortes por 100 mil habitantes, figurando entre os mais violentos da faixa entre 50 e 100 mil habitantes, em quarto lugar. A cidade é considerada uma das principais portas de entrada da cocaína no país e registra histórico de confrontos entre facções até 2023, quando o Comando Vermelho consolidou hegemonia sobre o território.
Apesar da presença desses quatro municípios no ranking, o Amazonas registrou queda nas mortes violentas intencionais em 2024, passando de 1.406 casos em 2023 para 1.173 em 2024, uma redução de 17,4%.
