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Economia

Produção industrial cai 1,3% em julho e volta a ficar abaixo do pré-pandemia

2 de setembro de 2021 Economia
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Produção na industria caiu em julho comparado a junho (Foto: Miguel Ângelo/CNI)
Por Leonardo Vieceli, da Folhapress

RIO DE JANEIRO – Pressionada pela escassez de insumos e pelo aumento de custos nas fábricas, a produção industrial teve queda de 1,3% em julho, em relação ao mês imediatamente anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (2).

Com o resultado, o indicador voltou a ficar abaixo do patamar pré-pandemia. Está em nível 2,1% inferior ao de fevereiro de 2020. Na comparação com julho de 2020, houve alta de 1,2%.

Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam recuo de 0,8% na comparação com junho. Em relação a julho do ano passado, a previsão era de crescimento de 1,9%.

Segundo o IBGE, a produção industrial acumulou alta de 11% nos sete primeiros meses do ano. Em 12 meses, houve avanço de 7%.

Após ser prejudicada pela chegada da pandemia, no primeiro trimestre de 2020, a indústria ensaiou reação ao longo do ano passado, no embalo da reabertura de atividades e dos programas de estímulo à economia. Esse movimento, contudo, perdeu fôlego na primeira metade de 2021.

O desempenho do setor continua ameaçado pela escassez de insumos. A dificuldade de obtenção de matérias-primas afeta segmentos como o automotivo, que prevê melhora consistente no quadro só em 2022. A falta de componentes é associada por analistas ao desarranjo nas cadeias produtivas provocado pela pandemia.

Para complicar a situação, a escassez de insumos tem sido acompanhada pela disparada de preços. De janeiro a julho, a inflação na indústria, medida pelo IPP (Índice de Preços ao Produtor), teve disparada de 21,39%. A variação em sete meses já é maior do que a verificada em todo o ano de 2020 (19,38%), mostram dados divulgados pelo IBGE no último dia 27.

O IPP mede a variação dos preços na “porta de entrada das fábricas”, sem o efeito de impostos e fretes. Ou seja, capta os valores de mercadorias usadas nas linhas de produção.

Outro ponto de preocupação entre industriais é a crise hídrica. A seca prolongada aumenta os custos de geração de energia no país. Como consequência, as contas de luz sobem nas fábricas.

Pesquisa recente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) retrata esse temor. Segundo o estudo, nove em cada dez empresários do setor relatam preocupação com a escassez de chuva.

Os dados apontam que os industriais temem principalmente o aumento nos custos de energia (83%). Possível racionamento (63%) e chance de interrupções no fornecimento de luz (61%) também são ameaças citadas.

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Assuntos Covid-19, pandemia, produção industrial
Murilo Rodrigues 2 de setembro de 2021
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