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Dia a Dia.

Procuradoria recomenda que Forças Armadas não vetem transexuais

12 de janeiro de 2018 Dia a Dia.
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Investigação apurou que Forças Armadas excluíram militares que revelaram homossexualidade (Foto: Mayke Toscano/Fotos Públicas)
Investigação apurou que Forças Armadas excluíram militares que revelaram homossexualidade (Foto: Mayke Toscano/Fotos Públicas)

Do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – O MPF (Ministério Público Federal), através da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, expediu recomendação aos Comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para que a transexualidade não seja considerada como motivo determinante para a reforma de militares, nem como forma de incapacidade para o exercício da atividade militar.

A recomendação leva em consideração ‘elementos colhidos’ durante um inquérito civil instaurado em 2014, que teve como objetivo apurar suposta violação aos direitos humanos no âmbito das Forças Armadas Brasileiras, que estariam reformando sistematicamente militares por causa da condição ou opção sexual sob o fundamento da incapacidade para o serviço militar.

Nos casos concretos de militares transexuais analisados durante o inquérito – um do Exército, dois da Marinha e um da Aeronáutica -, todos foram excluídos do serviço ativo das Forças Armadas após manifestarem o desejo de realizar transição de gênero.

Para os procuradores da República Ana Padilha e Renato Machado, autores da recomendação, a suposta impossibilidade de manutenção da militar transexual nas Armas ou Quadros Militares exclusivamente masculinos não encontra amparo constitucional ou legal, seja pela possibilidade de transferência de militares entre Corpos e Quadros, seja pelo ingresso de militares mulheres em Armas/Quadros/Funções antes exclusivamente ocupados por homens.

O Ministério Público Federal recomenda ainda que sejam estabelecidos programas de reabilitação ou transferência de militares transexuais em funções compatíveis em outros Corpos ou Quadros das Forças Armadas, caso exerçam originalmente funções que não podem ser ocupadas por mulheres e tenham alterado o gênero masculino para o feminino.

A Procuradoria quer implementação de programas de combate à discriminação, “voltados à erradicação da homofobia e transfobia de modo a não excluir das Forças Armadas as pessoas transgênero ou homossexuais”.

Os respectivos comandantes “deverão, no prazo de 30 dias, informar as providências adotadas, sob pena de impetração da medida judicial cabível em caso de inércia ou descumprimento”.

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Assuntos Aeronáutica, Exército, Forças Armadas, Marinha, MPF, transexuais
Cleber Oliveira 12 de janeiro de 2018
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