
SÃO PAULO – O processo de prévias que definirá o candidato do PSDB à prefeitura de SP já registrou casos de agressão e até mesmo de invasão a um dos locais de votação, o que resultou em uma urna quebrada.
O diretório zonal do Tatuapé foi invadido por um grupo de pessoas não identificadas que quebrou um computador onde estava sendo feita a votação. Houve confusão generalizada e a política militar foi acionada. A votação foi encerrada antes da hora naquele local e a urna com os votos de papel teve que ser retirada sob escolta de soldados da polícia civil.
“A confusão começou quando coloquei em ata que estavam fazendo um churrasco e bebendo cerveja dentro do local da votação. Começou então a confusão e um grupo de pessoas ameaçou me arrebentar. De repente, três menores entraram junto com um militante do partido e quebraram o computador”, disse a presidente do diretório do Tatuapé, Vânia Alves, que apoia o deputado Ricardo Tripoli, um dos pré-candidatos que concorre nas prévias.
Já Maria de Lurdes Silva, militante histórica do PSDB no Tatuapé e apoiadora de João Doria, acusa o grupo do deputado Ricardo Tripoli de ter começado a confusão. “Foi o grupo dele que invadiu aqui”, afirmou ela.
Também houve registros de confusão em outros locais onde ocorrem as prévias tucanas.
A votação das prévias do PSDB foi encerrada às 16 horas e a previsão é de que o resultado saia ainda hoje a noite. A disputa interna levou o partido a um clima de acirramento inédito na história da legenda na capital de São Paulo. Disputam a vaga de candidato à prefeitura, além de Tripoli, o empresário João Dória e o vereador Andrea Matarazzo.
Enquanto Dória é apoiado pelo governador Geraldo Alckmin, Matarazzo conta com o aval do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e dos senadores José Serra e Aloysio Nunes Ferreira. Tripoli, por sua vez, conta com a retaguarda do deputado Bruno Covas e do ex-deputado José Anibal. Caso nenhum dos três consiga maioria simples no pleito deste domingo, haverá segundo turno no dia 20 de março.
Apuração
Dezenas de militantes do PSDB subiram para o nono andar da Câmara dos Deputados, onde acontece a apuração das urnas eletrônicas do primeiro turno das prévias que definirão o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo.
Um militante gritou exaltado:”tem mulher e criança lá em baixo, isso é uma falta de respeito”. O resultado dos votos eletrônicos era esperado para 18h. Mais de uma hora e meia depois, nenhum porta-voz da direção municipal saiu para dar satisfação a centenas de militantes que aguardam no auditório externo da Câmara, no térreo.
A Executiva Municipal do PSDB se reuniu por quase três horas para decidir o que fazer em relação a votos computados manualmente. A reunião já terminou, segundo a assessoria de imprensa do diretório municipal, mas ninguém saiu da sala.
Militantes da campanha de Andrea Matarazzo e de João Doria começaram a trocar provocações no nono andar. Os apoiadores do vereador gritavam “Doria guerreiro, do povo com dinheiro”, “voto não tem preço” e “eu nunca apoiei o Collor”, em provocação ao empresário pelas acusações de ele ter comprado apoio da militância e de ter apoiado Fernando Collor. Do outro lado veio a resposta: “vai pro PSD” e “456, Kassab outra vez”, em referência à proximidade de Matarazzo com o presidente do PSD e ex-prefeito de quem foi secretário, Gilberto Kassab.
O policiamento da Casa interveio e pediu aos militantes de ambos os lados para descerem e aguardarem o resultado no auditório do térreo.
(Estadão Conteúdo/ATUAL)
