
Por Thiago Gonçalves, do ATUAL
MANAUS – O presidente da Associação de Praças dos Policiais e Forças Militares do Amazonas, Gutemberg Silva, que é cabo aposentado, disse na manhã desta terça-feira (12) que a transferência de policiais militares presos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas, na BR-174, zona rural de Manaus, coloca em risco a segurança dos internos e de seus familiares.
“O policial e o bombeiro militar são categorias distintas, com lei específica. Eles precisam de locais adequados para cumprir pena. Não se pode colocá-los no maior presídio do estado, junto a criminosos comuns. Isso não é apenas uma questão de segurança, mas também de convivência familiar. Visitas simultâneas de familiares de policiais e de presos comuns podem gerar atritos e colocar vidas em risco”, alegou Gutemberg Silva.
Ele também reclamou da falta de acesso dos advogados aos policiais transferidos. “Eu respeito uma decisão judicial e sempre respeitarei, mas é preciso dar acesso aos defensores. Nossos advogados estão impedidos de entrar, assim como nossa liderança da Associação dos Defensores de Agente. Isso é uma violação de direitos, pois nossos associados estão na condição de presos e precisam de acompanhamento”.
Segundo Gutemberg, as entidades representativas deveriam ter sido comunicadas oficialmente durante a operação de transferência. “Não é necessário informar antecipadamente, mas no momento da decisão e da chegada dos veículos os oficiais deveriam comunicar as representações. Assim, poderíamos trazer nossa assessoria técnica para acompanhar o procedimento. É fundamental que os internos saibam o que está acontecendo. Muitas vezes, por serem militares, recebem apenas uma ordem sem explicação. Isso é lamentável e desrespeitoso”, afirmou.
Gutemberg Silva também defendeu melhorias no antigo núcleo prisional da Polícia Militar. “O núcleo prisional precisa de melhores acomodações. O Estado tem condições de transformar o espaço em uma unidade digna para policiais militares. Ainda assim, é melhor do que estar no presídio junto a mais de mil presos”.
O dirigente citou riscos em caso de rebelião. “Em caso de rebelião, os primeiros a morrer seriam os policiais. Isso é uma irresponsabilidade. Poderíamos organizar batalhões da Polícia Militar para receber provisoriamente esses internos, enquanto se reforma o núcleo prisional. Nos últimos anos, políticos presos ficaram em batalhões. Por que policiais não podem? É possível adaptar acomodações e transformar batalhões em unidades prisionais. O CPE, por exemplo, teria condições de atender essa demanda. Basta ter vontade política”.
A desativação do Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas, no bairro Monte das Oliveiras, zona norte de Manaus, começou na manhã desta terça-feira, com a Operação Sentinela Maior. Cerca de 70 PMs detidos são transferidos para a nova unidade, instalada no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus, ao lado do Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), na BR-174.
