
Por Teófilo Benarrós de Mesquita, do ATUAL
MANAUS – O prefeito David Almeida (Avante) disse que vai apresentar planejamento de modernização do aterro sanitário de Manaus para evitar transferência do depósito de lixo e que tem “certeza que a Justiça vai entender as nossas argumentações, os nossos argumentos”. Almeida disse que a mudança, que implicará em levar o lixo coletado na capital para mais longe, irá gerar um custo de R$ 90 milhões por ano.
“A saída deste aterro, de onde ele está, para um aterro mais longe, vai onerar ainda mais os custos da prefeitura de Manaus em aproximadamente R$ 90 milhões por ano. Com esse dinheiro eu construo três viadutos por ano na cidade de Manaus”, disse o prefeito em entrevista à TV Amazonas nesta quinta-feira (31).
No último dia 15 de agosto o TJAM determinou que a prefeitura de Manaus transfira o descarte do lixo da cidade do aterro sanitário localizado no quilômetro 19 da Rodovia AM-010, que liga Manaus a Itacoatiara. A área ocupa 660 mil metros quadrados, ou 66 hectares.
O prazo para mudança termina no dia 31 de dezembro. Em caso de descumprimento, a prefeitura está sujeita a pena de multa diária de R$ 100 mil, limitada a 30 dias, e de enquadramento no artigo 330 do Código Penal (desobedecer ordem legal).
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David Almeida disse que uma série de melhorias serão feitas no local para que “a prefeitura continue gerenciando o aterro sanitário, ampliando e fazendo com que esse aterro sanitário seja referência”.
Entre as ações citadas por David Almeida estão a transformação das lagoas de chorume em água potável, o aproveitamento de gás metano na geração de energia – o que ocorre atualmente -, a instalação de uma usina de voltagem, e o tratamento do lixo para reaproveitamento em forma de adubo a ser distribuído aos produtores rurais.
David Almeida disse que a prefeitura gasta, por ano, com limpeza pública, entre R$ 480 milhões e R$ 500 milhões por ano. “Então, nós já estamos com nosso planejamento que nós vamos apresentar à Justiça. Temos a perpectiva de fazer o tratamento daquelas lagoas de chorume, transformando o chorume em água potável. Já tem investimentos previstos para isso e nós vamos apresentar para o Poder Judiciário”, afirmou David Almeida.
O prefeito revelou outras ações que serão apresentadas ao TJAM para reverter a decisão e manter o descarte de lixo no atual aterro sanitário de Manaus. “Serão 20 anos de exploração do gás metano. Nós vamos também implementar naquele lugar uma usina de fotovoltagem para também gerar energia, o que vai nos possibilitar uma economia de R$ 20 milhões a R$ 22 milhões por ano na conta de energia da prefeitura”.
“A prefeitura tem seu próprio aterro. Eu não posso sair da minha casa para ir para a casa de particular, pagando 90 milhões de reais a mais por ano. Temos a solução, que nós vamos apresentar para a Justiça, e tenho certeza que a Justiça vai entender as nossas argumentações, os nossos argumentos, e a prefeitura vai continuar gerenciando o aterro sanitário, ampliando e fazendo com que esse aterro sanitário seja referência”, afirmou.
Essa “casa particular” a que David Almeida se refere é aterro privado, construído pela Marquise, no quilômetro 13 da BR-314, que liga Manaus a Boa Vista (RR). O aterro é alvo de críticas e contestações judiciais, por comprometer o Igarapé Leão e o Rio Tarumã-Açu.
