
Do ATUAL
MANAUS — O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), alvo de investigação em sete ações do Ministério Público do Amazonas, falou pela primeira vez sobre o assunto nesta quinta-feira (13) e disse que as investigações fazem parte de “um curso normal” do sistema de Justiça, e que está tranquilo em relação ao trabalho de apuração. A defesa do prefeito foi feita durante uma live na página de David Almeida no Facebook, com a participação de 11 jornalistas. A live foi chamada de “bate-papo com o prefeito David Almeida” e teve duração de 90 minutos.
Segundo o prefeito, um dos procedimentos investigatórios criminais que apura duas viagens dele havia sido arquivado, mas foi desarquivado a pedido do Conselho Superior do Ministério Público. Ele considerou natural as viagens em período de férias pagas com recursos próprios.
“Sair, no recesso de carnaval, fui com a minha esposa e fomos fazer essa viagem. Então, essas notícias saíram, veiculadas em sites, e o MP, por ofício, faz o seguinte: todos vocês sabem o que é clipping, todos vocês têm e fazem. Então, tem notícia de crime, notícia de fato, e o promotor vê aquilo lá, acha que tem consistência e faz a notícia, se chama PIC. E eles fizeram esse processo de investigação criminal e arquivaram”, disse ele, citando que apresentou documentos que comprovam que ele viajou com recursos próprios “oriundos das minhas economias”.
As investigações conduzidas pelo MPAM envolvem também suspeitas de corrupção, fraude em licitação e favorecimento de familiares. Entre os pontos investigados estão viagens feitas pelo prefeito e a esposa ao Caribe, com alegações de que as despesas foram pagas por empresários com contratos com a Prefeitura, além de pagamentos mensais de R$ 20 mil à sogra do prefeito, Lidiane Oliveira Fontenelle, por uma empresa contratada pela administração municipal.
Almeida negou que a sogra tenha recebido dinheiro de entidades públicas e disse que Lidiane Oliveira Fontenelle trabalhou como funcionária de uma empresa privada e não tem vínculo com a administração municipal. “Nunca recebeu de governo, de prefeitura, de assembleia”.
“Inclusive, minha sogra sofre muito com isso. Ela era funcionária de uma empresa que tinha contrato com a prefeitura. Ela ficou lá uns 10, 12 meses. Eu nem conhecia a filha dela. Quando a gente começou a namorar, que a gente ficou sabendo. E ela fica pagando até hoje o pato de ser mãe da minha esposa”, disse.
David ainda disse que, em relação à sogra, as “pessoas” publicaram notícias que, segundo ele, tinham a intenção de “incriminar todo mundo”. Ele cita que Lidiane Oliveira Fontenelle não trabalha na empresa há 3 anos.
“Por ser minha sogra, olha só o que fizeram; quebraram o sigilo fiscal dela para notas ficas que ela emitia, como prestadora de serviço. Ela cuidava do RH da empresa, e aí criaram todo esse ‘salseiro’. Ela saiu da empresa e trabalha na iniciativa privada. Essa é a verdade”, disse.
David Almeida ainda afirmou que os contratos assinados e as licitações em sua gestão estão dentro da legalidade e questionou: “Qual a ilegalidade de viajar com recursos próprios e no período de recesso, que não tem trabalho da prefeitura?”
“Ninguém questiona a lisura da minha gestão. Ninguém questiona a saúde, a educação, infraestrutura. Eles se atêm a vida pessoa. A buscar em alguns minuciais para tentar me desgastar. Então, eu tô muito tranquilo em relação às investigações. E eu creio que a justiça do meio Estado é uma justiça séria e que vai verificar, através da investigação que vai ser feita, pelo Ministério Público, que não existe nenhuma ‘lisura’ nessas questões”, disse.
O prefeito atribui as investigações e as notícias sobre o caso à proximidade do processo eleitoral de 2026, apesar de dizer que não decidiu se será candidato no próximo ano. Ele lembrou que as denúncias são as mesmas apresentadas nas eleições de 2024, quando ele disputou a reeleição.
Sem citar nomes, Almeida disse que “estão usando matéria requentada” para tentar lhe atingir. “Quem come comida fria, acaba tendo digestão.”
Sobre o pagamento da viagem por empresário que mantém contrato com a prefeitura, David Almeida afirmou que não sabia do contrato, mas minimizou a situação afirmando que o empresário citado aluga duas impressoras para a Manaus Previdência, pelo valor de menos de R$ 10 mil por ano.
