
Do ATUAL
MANAUS – A Ministra Marina Silva (do Meio Ambiente) afirma que a política ambiental do governo Lula não é um ponto de partida para a proteção ambiental, mas de “parada”. “Precisamos parar de desmatar, de poluir, de queimar, de destruir”, disse a ministra na manhã desta terça-feira (22) em Manaus na abertura do 8º Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países e Comunidades de Língua Portuguesa.
Marina falou para educadores ambientais de Angola, Cabo Verde, Galícia (Espanha), Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, Timor Leste e São Tomé e Príncipe. Ela pediu que as pessoas “ressignifiquem” as experiências dolorosas provocadas pelas mudanças climáticas.
“A gente pode fazer de tudo para preservar os recursos híbridos, mas se não enfrentarmos o problema da mudança do clima vamos ter problemas do mesmo jeito”, disse.
Para Marina Silva, o futuro “já aconteceu” e têm consequências negativas na realidade do Brasil e do mundo e a sociedade tem que educar as novas gerações para “depois do futuro”.
“O poeta brasileiro disse que o sertão, na sua poesia, sem falar de mudança do clima, que o sertão ia virar mar e o mar vai virar sertão. Já virou. Imagina que o que é uma seca na Amazônia, um rio de 15 metros, 17 metros de extensão com apenas uma lâmina d’água? A crise ambiental é real”, disse.
A ministra disse que a sociedade pode mudar o entendimento sobre o meio ambiente e adotar novos hábitos. Ela fez comparação com a língua portuguesa que, segundo ela, foi um elemento de “destruição” ao impor-se a outras línguas faladas no Brasil, mas hoje é um “um elo de conexão” entre países que combatem a destruição ambiental.
“A gente vive de ressignificar as nossas experiências. Jean Paul Sartre (1905-1980) diz que nós não somos o resultado e o produto daquilo que é o nosso passado, do que o passado fez com a gente. Nós somos o resultado daquilo que nós fazemos com o passado. Eu sempre penso nisso porque se eu fosse o resultado do que o passado fez comigo, eu não estaria aqui. Fui analfabeta até os 16 anos, tive cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose”, disse.
Segundo a ministra, o mundo precisa de “um ponto de parada” porque a destruição da natureza não para de acontecer, destrói também as relações entre as pessoas e causa mais desigualdades sociais.
“Não é estranho o ponto de parada? Geralmente a gente fala de ponto de partida. Mas o mundo está precisando é de um ponto de parada porque a gente está vivendo uma aceleração de destruição da natureza, das relações, dos laços de amizade, das identidades. A tecnologia é importante, mas a ciência dos povos originários também é”, disse.
Congresso sem negocianismo e racismo
Marina Silva defende a política como fórum do debate democrático para resolver os problemas sociais, mas afirma que é preciso ter um entendimento sobre a diversidade social.
“Eu acho que o Congresso não deveria dar lugar, e isso é uma disputa política, para uma visão negacionista do mundo, para uma visão racista do mundo e machista, homofóbica e tantas outras. E querer eliminar o outro. Dentro dos diferentes espectros ideológicos as pessoas podem ter respeito pela democracia. Obviamente que existem aqueles que inicia na ideologia já na contramão da defesa dos direitos das pessoas LGBTQIA+, das mulheres e do direito da ciência”, disse.
