
Do ATUAL
MANAUS – O Parque dos Bilhares, na zona centro-sul de Manaus, será o cenário de pré-estreia da peça de teatro ‘Huma/”, com o ator trans Leo Scantbelruy, de 27 anos de idade, no dia 18 de junho.
O diretor Francisco Rider explica que o trabalho artístico foi concebido para ser exibido em espaços abertos, como pontes, parques e viadutos. “Huma/ é um espetáculo para e com o ambiente urbano manauara. A obra cênica é construída junto com o local onde vai ser apresentada”. Em caso de chuva, a apresentação será cancelada e remarcada para outra data.
Ao final de cada apresentação haverá um debate com o público.
“Huma/” conta a história de uma mulher que vive isolada em um mundo dominado pela peste, não só biológica, mas também pela política e a violência.
“O ‘Mundo-peste’ é uma metáfora para todas as formas de violências, agressões, preconceitos e fobias contra corpos ‘indesejados’ pelos padrões normativos. Um dia, a personagem Huma decide romper com esse enclausuramento e vai para a rua, se deparando com os vírus invisíveis da peste. Então, como uma mulher-cidadã, que cresceu na ditadura civil-militar (1964 a 1984), ela se manifesta”, descreve Francisco Rider.
“A barra utilizada no título da peça se refere à barra e aos desafios existenciais que a personagem vivencia nesse ‘mundo-peste’. A barra é também um corte dramático na palavra humanidade”, explica o autor.
As pessoas interessadas em assistir a montagem deverão comparecer ao Parque dos Bilhares até às 15h15. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada) e serão vendidos apenas no local do evento.

AS PORTAS INVISÍVEIS DO MUNDO DISPÓTICO DO PORTO DE LENHA
Ainda mastigando com todos os sentidos a apresentação do espetáculo Huma/ em 16/07/2023, no Parque dos Bilhares em Manaus. A cidade e seus ruídos também são peças do espetáculo, isso, com igarapé poluído, e com um jacaré passeando. A atriz Leo nos hipnotiza com sua técnica corporal e vocal, nos faz ver o Brasil com os olhos de Huma. A participação de Rider é como um vento ou mesmo um tempo a beijar e acordar a personagem. Em mim, foi como um grito entalado na garganta que saiu pelos olhos:Evoé!