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Dia a Dia

Polícia prende empresários suspeitos de plano para matar promotor

29 de agosto de 2025 Dia a Dia
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José Ricardo Ramos e Maurício Silveira Zambaldi foram presos na manhã desta sexta-feira (Foto: PC-SP/Divulgação)
José Ricardo Ramos e Maurício Silveira Zambaldi foram presos na manhã desta sexta-feira (Foto: PC-SP/Divulgação)
Por Fausto Macedo e Marcelo Godoy, do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – Dois empresários foram presos nesta sexta-feira (29) em Campinas (SP) sob a acusação de participar de um plano para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Policiais militares e promotores cumpriram quatro mandados de busca e apreensão e pretendiam fazer o mesmo com três de prisões temporárias decretadas pela Justiça.

Este é o segundo caso em São Paulo de descoberta de um plano de integrantes da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) para matar um promotor – o primeiro envolveu o promotor Lincoln Gakiya. Desta vez, a ordem teria partido de Sergio Luís de Freitas, o Mijão, que é um dos integrantes da Sintonia Final da Rua do PCC. Mijão está há mais de 19 anos foragido na Bolívia. Trata-se de um dos maiores operadores do tráfico de drogas no Brasil.

Na manhã desta sexta-feira, os promotores do Gaeco e os policiais do 1º Batalhão de Ações Táticas Especiais (Baep) fizeram as prisões. Há meses, os promotores trabalhavam na chamada Operação Linha Vermelha, para apurar crimes como organização criminosa armada, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

Foi durante essas investigações que eles encontraram, há poucos dias, informações que indicavam que um dos suspeitos estaria associado a Mijão. Em parceria com o chefe foragido na Bolívia, um dos empresários teria, segundo o Gaeco, “arquitetado e colocado em prática um plano para matar o promotor”.

Ainda de acordo com os promotores, os envolvidos teriam “financiado e providenciado a aquisição de veículos e de armamento e a contratação de operadores para a execução de uma emboscada”. O plano acabou descoberto pelo Ministério Público, que pediu a prisão dos articuladores e financiadores.

O Juiz da 4ª Vara Criminal de Campinas, Caio Ventosa Chaves, acolheu os pedidos do Gaeco. Foram presos dois empresários que atuam no ramo de comércio de veículos e de transportes. Os nomes dos empresários não foram revelados. As investigações continuam para a identificação de outras pessoas envolvidas no plano que vinha sendo articulado.

Quem é Mijão

Mijão nunca foi preso em São Paulo. Seu nome não consta nos arquivos da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Segundo dados da Inteligência Policial, ele é um atacadista da droga que se tornou um dos gerentes financeiros do PCC na cidade de Campinas antes de chegar à Sintonia Final da facção.

De acordo com o histórico registrado pela Polícia Civil, ele era associado ao traficante Rodrigo Felício, vulgo Tico, preso em 2013 por tráfico de drogas – ele cumpriu pena na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, reservada para a cúpula da facção. Também seria parceiro de Leandro Guimarães Deodato, o Alemão, um traficante que trazia drogas do Paraguai de helicóptero.

Em 30 de abril de 2014, a 1.ª Vara Federal de Limeira expediu contra Mijão o mandado de prisão em razão das investigações da Operação Gaiola, da Polícia Federal, iniciada em 2013 e deflagrada em 2 de abril de 2014, quando foram cumpridos mandados de prisão e de busca domiciliar em Limeira, Campinas, Piracicaba e São Paulo.

Durante essa operação, foram apreendidos 787 quilos de cocaína, 1.838 quilos de maconha, 28 veículos, R$ 637 mil e US$ 158 mil, além de terem sido presas 25 pessoas. O objetivo da operação era investigar dois grandes grupos criminosos que atuavam no tráfico internacional de drogas: um deles era chefiado por Rodrigo Felício, o Tiquinho, e o outro era liderado por Edgar Piran, o Velho.

De acordo com as investigações da PF, a ligação entre os dois grupos era feita por Maurício Donizete Berni, o Ti ou Mau Mau. Era nessa organização que Mijão atuava como “um dos importantes pilares do grupo”.

Mijão foi investigado ainda na Operação Sharks e teve a prisão preventiva decretada em 23 de outubro de 2020 pela 1.ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital. A Sharks apurou a lavagem de R$ 1 bilhão de recursos do PCC – ele acabaria absolvido na 1.ª instância. Na época, Mijão era responsável, ao lado de Valdeci Alves dos Santos, o Colorido, “por viabilizar a logística de transporte de drogas do Paraguai e Bolívia para o Brasil”.

A droga era enviada principalmente para o Estado de São Paulo e para o Paraná. Segundo a polícia, “a partir de Pedro Juan Caballero (Paraguai) e Ponta Porã (MS), ele (Mijão) organiza o recebimento e armazenamento das drogas provenientes da Bolívia e o posterior carregamento das drogas ao Brasil”.

Mijão é apontado ainda como o responsável pelo pagamento dos “agentes logísticos do tráfico, buscando dinheiro em casas de câmbio e contabilizando os recursos pagos”. Ele seria dono de um restaurante em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, onde transita como um empresário e mantém reuniões de negócio com outros narcotraficantes.

No último organograma do PCC feito pelo Gaeco em abril, Mijão aparece como um dos oito integrantes da Sintonia Final da Rua, logo abaixo da Sintonia Final Geral, onde está o líder Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

A Sintonia da Rua é composta exclusivamente por líderes da facção que estão em liberdade. Na época, Mijão aparecia ao lado de Décio Gouveia Luís, o Décio Português, e de Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, preso em maio na Bolívia.

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Assuntos crime organizado, empresários, facção criminosa, PCC, promotor de justiça
Cleber Oliveira 29 de agosto de 2025
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