
Do ATUAL
MANAUS — O MPAM (Ministério Público do Amazonas) deflagrou nesta terça-feira (29) a Operação Militia contra oito policiais militares e um perito da Polícia Civil suspeitos de atuar como milícia em Manaus. Segundo o MP, eles simulavam fiscalizações policiais para ameaçar e extorquir familiares e amigos de pessoas com ligação ao crime.
Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra Júlio de Almeida Lima Filho (tenente da PM aposentado); Alerson de Almeida Lima, que atuava na 23ª Cicom (Companhia Interativa Comunitária); Marcílio B. Pantoja; André Luiz Silva de Sá; Alijhone C. Gouveia; e Augusto César V. Guimarães, que atuavam na Força Tática; João Bosco de Assis Alves (Cavalaria); e Eldon Nascimento de Sousa. O perito foi identificado apenas pelas iniciais do nome: M.A.F. de A.
Armando Gurgel, promotor de Controle Externo da Atividade Policial, disse que a investigação começou após uma abordagem ocorrida no dia 14 de fevereiro no conjunto Manoa, zona norte de Manaus. Na ocasião, os suspeitos, usando coletes, balaclavas e armas de fogo, foram flagrados retirando um homem de um carro modelo Ônix. A ação ocorreu durante o dia e foi registrada por pessoas que passavam pelo local.

“A vítima foi sacada do carro e daí em diante ela sumiu até o final da tarde quando ela foi liberada e encontrada por uma equipe da Ronda Ostensiva Cândido Mariano no bairro Santa Etelvina”, explicou o promotor.
Segundo Gurgel, as vítimas eram escolhidas por terem amigos ou parentes ligados a algum tipo de ação criminosa. Os suspeitos usavam carros particulares com placas falsificadas e se apresentavam como policiais. “Gritavam ‘polícia’, esse tipo de coisa”, disse o promotor.
“Essas vítimas eram normalmente selecionadas por esses agentes com alguma proximidade com práticas criminosas ou pessoas que tinham alguma atividade criminosa ou ainda pessoas que estão sob investigação, possivelmente que não têm ligação com nenhuma atividade criminosa, que poderia estar sendo ali ameaçadas, constrangidas a partir da ameaça de que iria ser forjado um flagrante ou alguma situação nesse sentido”, disse Gurgel.
Até o momento foram identificadas três vítimas, incluindo um casal de empresários. Uma delas escapou de duas tentativas de ser raptada. Em uma das ocasiões, o carro foi atingido por tiros. “Ficou totalmente crivado de munições pela parte de trás, atingindo o kit multimídia na frente, o banco do encosto ao lado. Se tivesse sido no [banco] dela, teria morrido com um tiro na cabeça”, relatou o promotor.
Nesse caso, a vítima teve R$ 2 mil roubados pelos suspeitos. De outra vítima, os suspeitos levaram R$ 200 mil em espécie, três armas de fogo, um cordão e uma medalha de ouro avaliados em R$ 25 mil, um relógio de cerca de R$ 1 mil e um anel de formatura. O grupo também usou o celular da vítima para simular a venda de um veículo, o que resultou no desvio de mais R$ 100 mil de uma terceira pessoa.
Em outro episódio, uma comerciante foi abordada por ter um parente envolvido com o crime. Os investigados enviaram uma foto dela ao familiar exigindo pagamento. “Foi realizado com uma quantia de 20 mil reais”, disse Gurgel.
O promotor disse que a atuação da milícia começou em dezembro de 2024. Na operação desta terça foram apreendidas 17 armas, sendo quatro fuzis, e cumpridos 32 mandados, entre prisão e busca e apreensão. Também foram encontrados R$ 10.900 em dinheiro.
Em liberdade
No início da tarde desta terça, o perito da Polícia Civil foi colocado em liberdade ao colaborar com a investigação, informou Armando Gurgel.
Segundo o promotor, a prisão temporária foi fundamental para garantir o êxito de diligências sensíveis e necessárias ao andamento da apuração. “A prisão temporária tem justamente essa função: permitir que sejam realizadas diligências que exigem o afastamento do investigado, em um ambiente de custódia controlada. Essas medidas foram executadas com sucesso e houve significativa colaboração por parte do perito, o que fez cessar o interesse da manutenção da custódia”, explicou.
