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Política

PF indicia ex-presidente da Assembleia do Rio por ligação com o Comando Vermelho

27 de fevereiro de 2026 Política
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Rodrigo Bacellar foi preso em operação da PF contra o Comando Vermelho (Foto: Thiago Lontra/Alerj)
Rodrigo Bacellar foi indiiado por ligação com a facção ciminosa Comando Vermelho (Foto: Thiago Lontra/Alerj)
Por Felipe de Paula e Fausto Macedo, do Estadão Conteúdo

RIO DE JANEIRO – A Polícia Federal indiciou o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União), e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (MDB), por suspeitas de manterem laços com o Comando Vermelho, incluindo vazamento de informações para favorecer o tráfico de drogas.

A defesa de Bacellar, conduzida pelo advogado Daniel Leon Bialski, afirma que o indiciamento é “arbitrário e abusivo”.

Também foi indiciada pela PF Flávia Júdice Neto, ex-assessora da Assembleia Legislativa do Rio e mulher do desembargador Macário Júdice Neto, que teria repassado dados sensíveis de investigações envolvendo TH Joias a integrantes da facção criminosa.

No mesmo inquérito, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado, ambos ligados a TH Joias, foram indiciados.

Segundo a PF, Bacellar é suspeito de ter vazado informações da Operação Zargun, em que o então deputado estadual TH Joias foi preso acusado de ligação criminosa com a facção Comando Vermelho.

TH foi detido em 3 de setembro por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é suspeito de negociar armas, fuzis e equipamentos antidrones para o Comando Vermelho e de usar o mandato para favorecer a facção.

A suspeita de vazamento da Operação Zargun foi levantada pelo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, no dia da prisão de TH. Naquele mês, ele anunciou a abertura de investigação sobre possível vazamento de informações da operação, após indícios de tentativa de fuga e destruição de provas.

As investigações da Operação Zargun identificaram um esquema de corrupção envolvendo a liderança da facção no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares, ex-secretário municipal e estadual e TH Joias.

A organização, segundo a PF, se infiltrou na administração pública “para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas, além de importar armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, revendidos até para facções rivais”.

Operação Unha e Carne

Rodrigo Bacellar foi preso em 12 de dezembro pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Unha e Carne.

A ordem de prisão foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ADPF das Favelas. De acordo com Moraes, a PF argumentou que Bacellar orientou TH Joias na “remoção de objetos de sua residência”, indicando um envolvimento direto “no encobrimento do investigado à atuação dos órgãos de persecução penal”.

Bacellar, afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, renovou o pedido de licença do mandato. Ele está sem exercer o cargo desde 10 de dezembro.

Bacellar ocupava o comando da Casa desde 2023. Nesse período, chegou a ocupar interinamente o cargo de governador na ausência do titular Cláudio Castro (PL).

Cinco dias depois da prisão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, o plenário da Assembleia do Rio decidiu, por 42 votos a 21, pela soltura de Bacellar.

Defesa de Bacellar

Com a palavra, o criminalista Daniel Leon Bialski, que defende Rodrigo Bacellar:

“Em relação ao Presidente da Assembleia Rodrigo Bacellar inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas. Dessa forma, arbitrário e abusivo o indiciamento efetivado, realizado muito mais para justificar a ação açodada da Autoridade Policial, do que respaldada em elementos sérios e comprometedores”.

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Assuntos Alerj, Comando Vermelho, Rodrigo Bacellar, TH Joias
Cleber Oliveira 27 de fevereiro de 2026
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