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Dia a Dia

PF deflagra operação contra uso de dados da FGV para fraudar licitações

17 de novembro de 2022 Dia a Dia
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INSS
Polícia Federal combate esquema de fraudes com uso de dados da FGV (Foto: Divulgação/PF)
Por Fabio Serapião, da Folhapress

BRASÍLIA – A Polícia Federal cumpre na manhã desta quinta (17) 29 mandados de busca e apreensão para avançar na investigação sobre a suspeita do uso de estudos e pareceres da FGV (Fundação Getúlio Vargas) para fraudar licitações e corromper agentes públicos.

Segundo a PF, a operação Sofisma mira um esquema de corrupção, fraudes a licitação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro implementado por uma organização criminosa que utilizava a instituição de ensino.

A FGV chegou a ser alvo de investigações relacionadas à Lava Jato no Rio de Janeiro e foi apontada pelo ex-governador Sergio Cabral como um “biombo legal” que fabricava pareceres e estudos para esconder desvios em contratos públicos e pagamento de propina para agentes públicos.

“Como a FGV é uma instituição, com muita justiça, de reputação, ela sempre foi usada como um biombo, de cobertura legal para efetivação de entendimentos prévios, digamos assim. Ela fugia da licitação e dava cobertura legal para estudos feitos por nós”, disse Cabral à época.

O inquérito na PF foi aberto após o surgimento dessas informações de desvios em contratos do governo fluminense envolvendo a FGV. Segundo a PF, a FGV emitia pareceres inverídicos utilizados para camuflar a corrupção de agentes públicos.

“A entidade superfaturava contratos realizados por dispensa de licitação e era utilizada para fraudar processos licitatórios, encobrindo a contratação direta ilícita de empresas indicadas por agentes públicos, de empresas de fachada criadas por seus executivos e fornecendo, mediante pagamento de propina, vantagem a empresas que concorriam em licitações coordenadas por ela”, diz a PF em nota sobre a operação.

Após os recebimentos milionários para emitir os pareceres e estudos, o dinheiro era repassado para executivos da FGV que ocupavam postos de comando na entidade.

A PF apurou que esses executivos ocultavam a origem desses valores por meio de repasses para empresas de fachada no Brasil e, também, para offshores sediadas em paraísos fiscais como Suíça, Ilhas Virgens e Bahamas.

Procurada na manhã desta quinta, a instituição não respondeu a reportagem até a publicação deste texto.

Para os investigadores, essas transações indicam lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros possíveis ilícitos fiscais.

A operação foi autorizada pela 3ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro e os mandados de buscas são cumpridos em São Paulo e na capital fluminense. A Justiça também autorizou o sequestro de bens.

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Assuntos destaque, FGV, fraudes, licitações, Polícia Federal
Cleber Oliveira 17 de novembro de 2022
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