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Economia

Petrobras elabora ‘fórmula’ para evitar aumento de preço em ano eleitoral

24 de maio de 2022 Economia
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Petrobras estuda opções para evitar aumento de preço dos combustíveis (Foto: Valmir Lima/ATUAL)
Por Fábio Pupo, da Folhapress

BRASÍLIA – O governo discute a criação de um mecanismo para evitar que a Petrobras reajuste preços de combustíveis após a nova troca no comando da empresa e a menos de cinco meses das eleições.

Duas medidas ainda em estudo foram mencionadas por membros do governo nos últimos dias à Folha. Uma delas estabeleceria faixas para o preço internacional do petróleo – e, caso o preço do barril varie dentro dos valores delimitados, a empresa não poderia fazer reajustes.

Para exemplificar a medida, é citado entre membros do governo um intervalo hipotético de US$ 85 a US$ 125 para o barril de petróleo. A ideia é que, se o preço internacional variar apenas dentro da faixa, a Petrobras ficaria impedida de praticar reajustes – sendo autorizada apenas caso a cotação ultrapassar o teto da banda.

A ideia foi comentada à Folha nos últimos dias. É ressaltado que essa é apenas uma possibilidade e não há números fechados – mas, por outro lado, também é mencionado que a ideia é comentada com frequência entre membros do governo e que chegou a ser levada ao presidente Jair Bolsonaro (PL) logo antes de eles escolher o novo titular do MME (Ministério de Minas e Energia), Adolfo Sachsida.

Sachsida foi nomeado por Bolsonaro para o comando do MME justamente após sugerir ao presidente diferentes ideias para conter os preços de combustíveis no país. As sugestões já eram debatidas pelo novo ministro na equipe econômica em meio a outras possibilidades.

Outra ideia citada é de um intervalo mínimo de cem dias para os reajustes – o que impediria o último reajuste, feito com um tempo menor em relação à atualização anterior. Essa mudança é debatida internamente desde a gestão de Roberto Castello Branco (primeiro presidente da Petrobras no governo Bolsonaro), mas nunca foi implementada.

Seja qual a forma escolhida, o governo tem dado indicações frequentes nos bastidores de que quer evitar os reajustes da petroleira em um momento delicado da corrida eleitoral – em que Bolsonaro sofre desgaste pela inflação enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança das pesquisas.

Pesquisa Datafolha mostra que, para a maioria dos brasileiros (68%), a gestão de Bolsonaro tem responsabilidade pela alta no preço dos combustíveis.

Há cerca de uma semana, o Bolsonaro criticou a política de preços da Petrobras dizendo que as regras da empresa não estão acima da Constituição.

“Todo mundo tem que colaborar, não é ganhar mais dinheiro na crise. É o que infelizmente alguns setores fazem, como a própria Petrobras. ‘Ah tem o estatuto’. Estatuto […] não está acima da Constituição”, disse Bolsonaro a apoiadores no cercadinho do Palácio da Alvorada.

Um interlocutor ouvido pela Folha nas últimas semanas chega a dizer explicitamente que é mais vantajoso para os acionistas da Petrobras que a empresa segure os preços agora para evitar a volta de Lula, que – na visão expressa – acabaria com a empresa a partir de 2023.

Reforça a sinalização por uma mudança sobre os reajustes a nota oficial publicada pelo MME nesta segunda ao comentar a troca no comando da empresa. “Trabalhar e contribuir para um cenário equilibrado na área energética é fundamental para a geração de valor da empresa, gerando benefícios para toda a sociedade”, afirma o texto.

As possíveis mudanças na política de preços da Petrobras já eram mencionadas pelos integrantes do governo nos últimos dias enquanto eles davam como certa a troca no comando da empresa, que foi anunciada nesta segunda-feira (23). Para o lugar de José Mauro Coelho no comando da empresa foi convidado Caio Mário Paes de Andrade.

A visão é que a saída do ministro Bento Albuquerque do comando do MME e a entrada de Sachsida abriu a possibilidade para as mudanças e pode ser comparada a um novo técnico de futebol insatisfeito com os antigos jogadores do time.

Com as trocas, assume uma posição privilegiada de comando sobre a Petrobras o ministro Paulo Guedes (Economia), que agora tem dois ex-integrantes de seu time em lugares estratégicos sobre o tema – na liderança do Ministério de Minas e Energia e também na presidência da petroleira.

As mudanças têm apoio da equipe econômica. Conforme a Folha mostrou, a política de preços da Petrobras era criticada de forma reservada por integrantes -que chegavam a contar com uma ação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para conter os valores.

Mas o superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto, afirmou à Folha que não vai interferir na política de preços da empresa. Restou ao governo encontrar outras saídas.

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Assuntos Petrobras, preços dos combustíveis
Cleber Oliveira 24 de maio de 2022
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