
Da Redação
MANAUS – Após reportagem do Estadão apontando suposta ameaça do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), pelo voto impresso nas eleições de 2022, parlamentares federais do Amazonas se dividiram entre o repúdio a qualquer interferência nas eleições e a defesa do governo federal.
Após a publicação da reportagem, Lira e Braga Netto negaram qualquer ameaça às eleições de 2022. O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Luís Roberto Barroso, também se pronunciou sobre o caso nesta quinta-feira (22), afirmando que conversou com o deputado e o ministro, que “desmentiram” a informação.
Marcelo Ramos (PL) afirmou que em uma democracia não são os militares que determinam uma eleição, mas a Constituição Federal. “O presidente Arthur Lira já demarcou que está ao lado da Democracia e da Constituição. A publicidade do fato é importante pra sociedade e os Poderes reagirem a tamanha insensatez”, escreveu.
José Ricardo (PT) apontou tentativa de golpe à democracia brasileira, rechaçou interferência nas eleições e defendeu prisão a “qualquer um que atende fazer isso”. O petista também disse que Braga Netto “tem que começar a respeitar a Constituição” e não misturar “o papel das Forças Armadas com a política para fazer uma gestão do país e o processo eleitoral”.
“As Forças Armadas deveriam cuidar daquilo que é seu papel constitucional: cuidar da soberania do Brasil, cuidar da defesa a nível nacional. Na parte da política, não é o papel das Forças Armadas. Nós estamos vivendo um governo militar e alguns generais impor as regras, inclusive, que não estão na constituição”, disse José Ricardo.
Em defesa do Governo Bolsonaro, Capitão Alberto Neto (Republicanos) afirmou que as informações divulgadas pelo Estadão são distorcidas e tentam enfraquecer a imagem do presidente. O parlamentar afirmou que o atual governo é uma “gestão democrática e que jamais ameaçaria suas instituições”.
Citando declarações de Arthur Lira e Braga Netto, que negaram qualquer pressão das Forças Armadas, Alberto Neto afirmou que “o Governo Bolsonaro é um defensor da democracia, tanto que procurou garantir o respeito da escolha popular nas eleições, defendendo o voto impresso auditável, que é o aperfeiçoamento do nosso processo democrático”.
O republicano disse que quem vai decidir sobre o voto auditável é o Congresso Nacional, conforme prevê a Constituição Federal, e, em alinhamento com o discurso de Braga Netto, disse que as Forças Armadas “agem dentro dos limites constitucionais”. Para Alberto Neto, as instituições “estão para garantir o exercício dos poderes constitucionais”.
“Além da defesa da Pátria, estão para garantir o exercício dos poderes constitucionais que, nesse caso das urnas, é prerrogativa do poder legislativo. Logo, o que for decido no Congresso, as Forças Armadas tem que fazer cumprir. E a nossa Constituição é clara nisso e nossas instituições continuam funcionando a serviço da democracia”, disse Neto.
O senador Plínio Valério (PSDB) disse que possível interferência das Forças Armadas seria “indevida”, mas que não acredita que isso venha a acontecer.
