
Do ATUAL
MANAUS – A Polícia Civil de Roraima deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação Rota do Norte para desarticular a facção venezuelana Tren de Aragua. São cumpridos 25 mandados de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão.
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e ocorre simultaneamente em seis estados: Roraima, Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
A polícia de Roraima identificou que o grupo atuava no tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de guerra, incluindo fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas. O esquema abastecia outras organizações criminosas, entre elas o Comando Vermelho, com atuação no Amazonas e no Rio de Janeiro.
Criada em uma prisão na Venezuela, a Tren de Aragua opera em países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile, com crimes que incluem sequestro, extorsão, mineração ilegal e tráfico de pessoas.
Em 2025, os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira, mesma designação aplicada ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao CV (Comando Vermelho).
facções na Amazônia
Mais de um quarto das cidades da Amazônia Legal hoje são dominadas pelo Comando Vermelho (CV). A Região Norte do país é considerada estratégica pela possibilidade de importar rapidamente cargas de cocaína e skunk de nações vizinhas, como Peru e Colômbia, além de permitir que as mesmas rotas sejam usadas para crimes como o garimpo ilegal, em fenômeno conhecido como o “narcogarimpo”.
Segundo o levantamento Cartografias da Violência na Amazônia, feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com entidades como os institutos Mãe Crioula e Clima e Sociedade, são 17 facções com atuação na Amazônia Legal.
Além do CV e do Primeiro Comando da Capital (PCC), siglas nordestinas, como o Bonde do Maluco (BDM), da Bahia, e os Guardiões do Estado (GDE), do Ceará, atuam na região. A lista inclui ainda três organizações estrangeiras: o Estado Maior Central (EMC) e a Ex-Farc Acácio Medina, da Colômbia, além do Trem de Aragua, da Venezuela.
“A expansão das facções criminosas constitui um dos principais desafios à segurança pública, à governança territorial e à soberania nacional na Amazônia. Observa-se, nos últimos anos, um processo de interiorização e diversificação das dinâmicas criminais, com a consolidação de rotas estratégicas para o tráfico de drogas, armas, minérios e madeira, conectando a região aos mercados nacional e internacional”, diz trecho do estudo
Tren de Aragua
A facção criminosa Tren de Aragua surgiu na prisão de Tocorón, no Estado de Aragua, região Centro-Norte da Venezuela, em 2014. Hoje, ela atua em países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile. Os crimes realizados pelo grupo incluem sequestro, extorsão, mineração ilegal e tráfico de drogas e de pessoas.
No ano passado, os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira. Essa é a mesma designação aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho no mês passado.
Os EUA ainda acusam a organização venezuelana de ter mantido vínculos com o governo de Nicolás Maduro, que atualmente aguarda julgamento na Justiça americana por narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas.
No sexta-feira passada (12), em uma operação militar americana em coordenação com as autoridades da Venezuela, o chefe do Tren de Aragua, Niño Guerrero, foi morto.
Após a operação, um alto funcionário do Pentágono afirmou que a morte do líder da quadrilha “envia uma mensagem clara à América Latina” sobre o compromisso do governo do presidente Donald Trump de combater o narcotráfico.
