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Economia

ONS descarta adotar racionamento de energia elétrica este ano

23 de setembro de 2021 Economia
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Segundo a ONS, não terá racionamento de energia elétrica (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Por Nicola Pamplona, da Folhapress

RIO DE JANEIRO – O diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Luiz Carlos Ciocchi, afirmou nesta quinta-feira (23) que o sistema elétrico terá condições de atender a demanda até o fim do ano sem necessidade de racionamento compulsório de energia.

“Não há a possiblidade de racionamento em 2021”, disse, em evento virtual promovido pelos jornais “O Globo” e “Valor Econômico”. Ele não descartou, porém, a possibilidade de problemas de atendimento aos horários de pico, quando o consumo é maior.

“Esse período de outubro a novembro é mais crítico, a carga aumenta, o calor aumenta, o uso de ar condicionado aumenta, mas temos as termelétricas e acreditamos que teremos condição de enfrentar o atendimento com segurança”.

Também presente no evento, o secretário de Energia Elétrica do MME (Ministério de Minas e Energia), Christiano Vieira reforçou a avaliação do ONS, dizendo que as medidas já anunciadas pelo governo vão garantir o abastecimento de energia este ano.

“Esse conjunto de medidas é suficiente hoje para atender os requisitos de energia e de potência de 2021 e 2022”, afirmou. A expectativa é que a geração térmica continue em alta durante todo o ano que vem, para garantir a passagem pelo próximo período seco.

Em outubro, o governo deve realizar leilão emergencial para a contratação por cinco anos de térmicas que hoje estão sem contrato, mas vêm gerando energia a preços elevados para ajudar a enfrentar a crise.

O leilão tem o objetivo de ajudar a encher novamente os reservatórios, que estão em níveis historicamente baixos. Com contratos mais longos, o governo espera reduzir o custo dessa energia emergencial.

O secretário do MME reconheceu que a estratégia terá custo para o consumidor, mas disse que com a chegada das chuvas, o sistema terá que gerar energia hidrelétrica do Norte no início do ano e, assim, as térmicas mais caras devem ser desligadas.

“Vamos usar mais térmicas do que o normal, mas menos do que hoje” disse. “E o que fica de fora? As mais caras, menos eficientes”. A térmica mais cara do Brasil hoje, William Arjona, no Mato Grosso do Sul, opera hoje por R$ 2.443 por MWh (megawatt-hora).

Para a economista-chefe do Credit Suisse Brasil, Solange Srour, as incertezas em relação ao abastecimento de energia têm impactado na decisão de investimentos no país. Além do risco de racionamento, diz, há grande preocupação com a pressão inflacionária gerada pela alta da conta de luz.

“O setor empresarial não está tomando decisão nenhuma”, afirma. “Porque entramos num ano em que teremos eleição muito polarizada e ao mesmo tempo podemos ter que reduzir compulsoriamente o consumo de energia, o que afeta muito não só a indústria, mas também o setor de serviços, que é o principal do PIB”.

Nesta quinta, o ONS anunciou que o programa de redução voluntária da demanda de energia por grandes clientes teve mais 205 MW (megawatts) em projetos aprovados. Assim, a economia prevista para setembro chega a 442 MW.

Segundo Vieira, esses programas de redução da demanda não constam das projeções do governo para o abastecimento até o fim do ano, que considera apenas as medidas de aumento da oferta e de melhor uso do sistema de transmissão de energia

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Assuntos energia elétrica, ONS, racionamento de energia elétrica
Murilo Rodrigues 23 de setembro de 2021
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