
Do ATUAL
MANAUS – Em entrevista ao ATUAL nesta sexta-feira (2), o vereador José Ricardo (PT) defendeu mais transparência e fiscalização na CMM (Câmara Municipal de Manaus), especialmente em relação ao uso das verbas públicas por parte dos parlamentares. O vereador criticou colegas que, segundo ele, recebem recursos sem oferecer retorno à população.
“O problema é o pessoal que gasta, mas não trabalha. Tem gabinete que você abre a porta e não tem ninguém. No meu, todos os assessores estão trabalhando, indo às ruas, fiscalizando, atendendo”, disse o parlamentar.
José Ricardo afirmou que os recursos do mandato — como o Cotão e a verba de gabinete — são importantes para o exercício da função parlamentar, mas devem ser usados com responsabilidade e de forma transparente. “Esse custo não é o maior problema. O problema é quando não há trabalho. A sociedade precisa cobrar resultados”, disse o vereador.
A verba de gabinete está prevista na Lei Municipal nº 539, de 12 de julho de 2023, e estabelece que cada vereador tem direito a R$ 98 mil para contratar assessores. O total disponível para os 41 parlamentares chega a R$ 4 milhões mensal.
A norma permite que cada vereador contrate entre 20 e 50 servidores. Em fevereiro, a CMM registrou 1.794 servidores comissionados pagos com verba de gabinete, o que resultou em uma folha bruta de R$ 10,6 milhões. O total de trabalhadores pagos com a verba representa 80% do total de servidores.
O vereador também fez críticas à relação de parte da Câmara com a Prefeitura de Manaus. Para ele, muitos parlamentares priorizam favores e cargos em vez de exercer o papel fiscalizador. “Há um interesse muitas vezes mais pessoal ou do grupo político. O vereador que fica muito atrelado ao prefeito não fiscaliza. E o vereador é eleito para fiscalizar”, afirmou o parlamentar.
José Ricardo citou o caso do ex-vereador Sassá da Construção Civil, também do PT, nomeado como secretário extraordinário da Prefeitura após não se reeleger.
“Ainda não sei o que faz esse secretário. Nunca vi nenhum trabalho dele. É um cargo criado para acomodar alguém que perdeu o mandato”, afirmou. “É lamentável porque era o único vereador do PT, mas não fiscalizava. Estava lá apoiando a prefeitura”, completou.
Disputa interna
Na entrevista, José Ricardo também confirmou que será candidato à presidência estadual do PT no processo de eleição direta marcado para 6 de julho. Ele defende mudanças no comando do partido no Amazonas e maior conexão com as bases. Atualmente, a sigla é comandada pelo deputado Sinésio Campos.
“É um sentimento de mudança. O PT não foi bem nas últimas eleições. Precisamos de uma direção que organize, que motive, que cuide da formação política dos novos filiados”, afirmou o petista.
