O governo contra os pobres

Posse sem participação do povo, ameaças aos adversários, fake news, ausência dos representantes de países, salário mínimo menor que o previsto. Assim começou o governo de Bolsonaro, que a cada dia se torna uma ameaça constante aos trabalhadores brasileiros.

Nas posses de Lula e de Dilma, o povo pode estar perto deles, acolhendo -os como presidentes legítimos, com muita alegria e esperança. Multidões se espalhavam em toda a Esplanada dos Ministérios. Já com Bolsonaro, o povo ficou distante e reduzido. Tiros de canhões foram as imagens que ficaram na subida da rampa. Armas ao invés do povo.

No tratamento com a imprensa, os profissionais da comunicação sentiram na pele como será esse governo de ultra direita. Confinados em um local batizado de “chiqueiro”, jornalistas foram humilhados e maltratados, ficaram sem água e banheiro e ainda sofreram ameaças. Alguns repórteres estrangeiros desistiram de fazer a cobertura jornalística da posse.

Assim como foi na campanha política, os fake news continuam nesse governo do atraso. Dizer que o povo começou a se libertar do Socialismo é uma mentira que talvez somente os seus partidários acreditem. E alguma vez o Socialismo existiu no Brasil? Antes tivesse existido, pois assim teríamos um país com menos desigualdade social e com mais justiça social e respeito aos direitos constitucionais.

Na campanha, Bolsonaro dizia que reduziria pela metade o número de ministérios. Ou seja, ficariam em torno de 15. Isso não ocorreu. Na posse do dia 1º deste ano, 22 ministros foram empossados. Todos resultados de conchavos políticos, partidários e, até mesmo, com lideranças de igrejas.  Muitos desses ministros têm ideias e propostas mais sinistras e esdrúxulas do que as do próprio presidente. E não se pode deixar de mencionar que ainda tem um ministério com a participação de apenas duas mulheres. O que demonstra desvalorização com as causas feminista, já que vivemos num país onde mais de 50% da população é mulher, portanto deveriam ser bem mais representadas.

Seu discurso de combate à corrupção só valeu durante a eleição. Muitos ministros que ele nomeou, sem nenhuma preocupação ética, são acusados de atos de corrupção.  Até o ministro Sérgio Moro, aquele que condenou o Lula sem provas e o impediu de ser candidato a presidente, e que em troca desse serviço recebeu o ministério da Justiça, disse que bastava pedir desculpas e esclarecer que está tudo bem. Nem as denúncias de esquemas do assessor do filho do presidente, que repassou recursos não esclarecidos para a atual esposa de Bolsonaro, estão sendo investigadas como foi na Lava Jato.

Foi a posse menos prestigiada por representantes de outros países nos últimos 30 anos. Foram apenas 46 representações, sendo apenas 10 chefes de Estado. Na posse de Fernando Collor, foram 70 representações de países. Na de Fernando Henrique, foram 120 representantes. Na posse de Lula, 110 estiveram presentes e na da Dilma, 132 representantes de países diferentes participaram.  A maioria dos outros países não acredita nesse governante que prega o ódio e a violência. O premier de Israel, Benjamin Netanyahu, veio porque tem interesse na venda de armas ao Brasil. Será para eles um grande negócio, mas para o Brasil, será o aumento da violência.

O pior está vindo a galope. Mais ataques aos direitos dos trabalhadores e à população mais pobre e excluída do país. O fim do Conselho de Segurança Alimentar mostra que o combate à fome não será prioridade. Colocar o Incra no Ministério da Agricultura é dificultar a agricultura familiar e as pequenas propriedades. Jogar a FUNAI para o Ministério da Família só vai acelerar a destruição da cultura e dos direitos dos povos indígenas.

Outra clara demonstração de que os trabalhadores estão em segundo plano neste governo, foi a definição do novo salário mínimo. Bolsonaro tirou R$ 8 dos ganhos do trabalhador. O Congresso Nacional já tinha aprovado e Temer sancionado no Orçamento da União. A previsão do salário mínimo atingiria R$ 1.006. Porém, o Bolsonaro fixou em R$ 998. Um aumento de apenas 4,6% em relação ao de 2018 que era de R$ 954. O presidente golpista Michel Temer havia feito algo semelhante no passado ao tirar R$ 10 do salário mínimo.

Nos governos do PT, Lula e Dilma adotaram uma política de valorização do Salário Mínimo, reajustando anualmente acima da inflação, com aumento real e de poder aquisitivo. A maioria dos trabalhadores públicos e privados recebem salário mínimo. Também as aposentadorias predominantemente são neste mesmo parâmetro de valores. E pelo visto, mais medidas contra o povo estão vindo por aí.

É necessária muita resistência das forças progressistas e populares da sociedade brasileira, para que lutemos contra a perda de direitos praticada por esse governo que tomou posse esta semana. Temos muitas lutas pela frente. Não vamos esmorecer!

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