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Gina Moraes

O futuro incerto da advocacia

6 de abril de 2018 Gina Moraes
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Quem de nós, entre os advogados em formação, ou no exercício da carreira, já parou para conhecer Ross, o primeiro advogado digital desenvolvido pela Universidade de Toronto, Canadá, por demanda da IBM, capaz de advogar com base em milhões de arquivos, identificar quais se adequam à demanda do cliente. Dias de trabalho transformados em segundos, mediações, julgamentos por juízes robotizados, redução drástica das toneladas de papéis, assim será o futuro da advocacia na profecia digital. Qual o perfil do advogado nesse cenário, que papel seria razoável defender para o futuro desta categoria? O smartphone levou a extinção de muitos equipamentos e decretou o fim de muitas profissões. O que virá a seguir?

Hoje, amanhã e sempre, vivendo num país sacudido por crises permanentes, o real papel dos advogados no Brasil – coisa que nenhum computador fará – é entender, debater e resguardar o Direito na sua essência. Advogar nesse cenário de crise política, institucional e moral é apontar para a importância e a necessidade do Estado de Direito. Longe de comungar com a desordem das instituições, o ganha pão do verdadeiro causídico é o resguardo da Lei.

A Constituição Federal de 1988 trata em seu artigo 133, do exercício da profissão e a imprescindibilidade do advogado à administração da justiça: “O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”. O dever da advocacia é pugnar pelo respeito ao cidadão e aos interesses da sociedade, como dito por Ruy de Oliveira Sodré: “Sem liberdade, não há advocacia. Sem a intervenção do advogado, não há justiça, sem justiça não há ordenamento jurídico e sem este não há condições de vida para a pessoa humana. Logo, a atuação do advogado é condição imprescindível para que funcione a justiça. Não resta, pois, a menor dúvida de que o advogado exerce função social”.

Neste cenário, seja bem-vinda a tecnologia. As mudanças vão operar transformações súbitas, e quem não estiver preparado vai perder o bonde da História por não saber compatibilizar a realidade frenética da mudança com a permanência de valores imutáveis, aqueles que resguardam a dignidade humana no Estado do Direito. O Brasil há muito ultrapassou a barreira de um milhão de advogados, atrás dos Estados Unidos e da Índia, esse volume expressa o crescimento dos conflitos gerados na sociedade. A inteligência artificial já removeu mais de trinta mil postos de trabalho, em dez anos, essa mudança será exponencial.

“Ainda existirão advogados no futuro?” Sem sombra de dúvidas a tecnologia reduz custos, melhora a prestação jurisdicional, permite maior acesso do cidadão ao seu processo além do que, força o advogado a se abrir ao novo.

A tecnologia da comunicação levou à falência ou pulverizou impérios da imprensa escrita por todo o mundo, mas, não destruiu o desejo pela notícia inerente ao ser humano. O advogado é o primeiro juiz de qualquer processo, necessariamente aquinhoado com a reflexão, o discernimento e a sabedoria, à luz, não de algoritmos, mas de interação inteligente, ética, humanista e justa, função que não poderá ser delegada a nenhum robô. Essa avaliação preliminar, além de técnica, possui caráter subjetivo e, em muitos ramos do Direito, essa subjetividade é fundamental, como por exemplo, nas causas que envolvem o Direito de Família, Ambiental, Criminal… quem tem competência e vocação sempre se estabelecerá.


Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Cleber Oliveira 6 de abril de 2018
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