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Economia

Nordeste registrou maior perda salarial entre janeiro e março de 2021

16 de junho de 2021 Economia
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Para receber o auxílio, a renda familiar deve ser de até R$ 522,50 por pessoa ou de até três salários mínimos (Foto: Marcello Casal/Agência Brasil)
Perda do poder salarial foi maior no Nordeste (Foto: Marcello Casal/ABr)
Por Leonardo Vieceli, da Folhapress

RIO DE JANEIRO – Com o impacto da piora da pandemia, o Nordeste amargou a maior perda salarial do país no primeiro trimestre de 2021. Entre janeiro e março, a renda efetiva do trabalho caiu 7,05% na região, frente a igual intervalo de 2020. O recuo verificado no Brasil foi de 2,2%.

Os dados integram estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). As informações têm como base a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Uma das possíveis explicações para a queda acentuada no Nordeste é a grande dependência do setor de serviços na região, indica Sandro Sacchet de Carvalho, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.

Esse segmento reúne atividades que foram atingidas em cheio pela piora da pandemia, como operações de turismo, bares e restaurantes. Empresas do gênero dependem da circulação de consumidores, que foi afetada por restrições para frear o coronavírus. “De certo modo, o tipo de ocupação tem impacto nos resultados observados. Estados com dependência maior da agricultura e da indústria foram menos afetados”, aponta Carvalho.

As outras quatro regiões do país tampouco ficaram imunes à queda na renda efetiva no primeiro trimestre. A segunda maior baixa foi registrada no Norte (-3,85%), seguido por Sudeste (-1,46%) e Sul (-0,97%). O Centro-Oeste teve o recuo menos intenso (-0,84%).

O estudo também informa que a crise sanitária elevou a proporção de domicílios sem nenhuma renda do trabalho no Brasil. O percentual pulou de 25% no primeiro trimestre de 2020 para 29,3% no mesmo intervalo de 2021.

“Essa diferença reforça a avaliação de que está sendo lenta a recuperação do nível de ocupação entre as famílias de renda mais baixa a patamares anteriores à pandemia”, diz o Ipea em nota.

Segundo a pesquisa, a faixa etária mais afetada pela piora da crise sanitária foi a dos jovens adultos (25 a 39 anos), com queda de 7,73% nos rendimentos efetivos entre janeiro e março. A renda dos trabalhadores com 60 anos ou mais, por outro lado, cresceu 7,06%, influenciada principalmente pela alta proporção de trabalhadores por conta própria nessa faixa etária.

Já em relação à escolaridade, os rendimentos recuaram para todas as categorias, com destaque negativo para os trabalhadores que completaram o ensino médio (-8,37%). No recorte por sexo, os homens tiveram queda de 4,71% na renda. Entre as mulheres, houve alta de 1,33%.

Segundo Carvalho, o nível de empregos formais é maior entre os homens no país. E, no primeiro trimestre, renda efetiva caiu 3,6% nos vínculos de trabalho com carteira assinada. Isso, diz o pesquisador, ajuda a entender a diferença em relação às trabalhadoras.

Na visão de Carvalho, a recuperação da renda depende do avanço da vacinação contra a Covid-19 nos próximos meses. A imunização é considerada necessária para reduzir restrições a setores como o de serviços, o maior empregador do país.

“Em termos de renda, pelo menos no segundo trimestre, a gente espera um cenário bastante semelhante (ao do primeiro). Uma recuperação pode ser demonstrada a partir do terceiro trimestre, com o avanço da vacinação”, afirma o pesquisador.

Entre janeiro e março, a taxa de desemprego chegou a 14,7% no país. A marca representa recorde na série histórica do IBGE, iniciada em 2012. O total de desempregados alcançou a marca de 14,8 milhões de pessoas, outra máxima da pesquisa.

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Assuntos Ipea, Nordeste, perda salarial
Cleber Oliveira 16 de junho de 2021
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