O Amazonas Atual utiliza cookies e tecnologias semelhantes, como explicado em nossa Política de Privacidade, para recomendar conteúdo e publicidade. Ao navegar por nosso conteúdo, o usuário aceita tais condições.
Confirmo
AMAZONAS ATUAL
Aa
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Aa
AMAZONAS ATUAL
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
Pesquisar
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
    • Augusto Barreto Rocha
    • Cleber Oliveira
    • Fatima Guedes
    • José Ricardo
    • Márcia Oliveira
    • Sandoval Alves Rocha
    • Sérgio Augusto Costa
    • Tiago Paiva
    • Valmir Lima
  • Quem Somos
Siga-nos
  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos
© 2022 Amazonas Atual
Fatima Guedes

No popular: sob a lógica Zirum Boléo

12 de maio de 2023 Fatima Guedes
Compartilhar

O conceito zirum boléo circula até hoje em nossas rodas de conversas como descontração; também para definir situações de alto grau (boléo) de alienação (zirum)

marionete
Ilustração: http://www.minutopsicologia.com.br/

Na caça de temáticas problematizadoras sob perspectivas de despertares crítico libertários, fluem fragmentos ímpares de filosofias populares da cultura de Parintins/Am. Visualizações sobre o cenário político e respectivos perfis sociais da terra dos bumbás nos trazem memórias do mestre de obras, um dos primeiros residentes da rua Sá Peixoto, Hílzio Menezes da Cruz, o Pirolote, falecido em 30/09/ 2004, com 75 anos, vítima de derrame. Apesar das limitações próprias da condição de trabalhador autônomo, Hílzio cultivava um perfil descontraído, ao mesmo tempo, filosófico sobre a realidade.

Não por acaso, observando a rotina de funcionários públicos da Ilha totalmente dependentes de chefias, Pirolote deixara fluir: – tá tudo zirum boléo!

Pra encurtar, o conceito zirum boléo circula até hoje em nossas rodas de conversas como descontração; também para definir situações de alto grau (boléo) de alienação (zirum).  

A propósito, os códigos de subserviências sistêmicas definem os níveis de alienação da maioria de trabalhadores e trabalhadoras em nome do que chamam sobrevivência. No popular, essas categorias são definidas como puxa-sacos. E diga-se: são boléo! Tal situação tornou-se obrigatoriedade como meio de garantir privilégios institucionais.

Em número reduzido, contrapondo-se a tal lógica, estão os puxadores de carroças conduzindo o burro a trancos e barrancos como sabem, como podem e bem entendem.

Em face a tal realidade, considerando a diversificação de valores, educação e opções, as duas categorias ocupam espaços diferentes, embora os puxadores de carroças, vez por outra, entram no quadro dos ziruns e mudam de posição.

Numa abordagem mais sociológica, o cenário em pauta estabelece uma linha real e, ao mesmo tempo ilusória, como limite entre as duas classes. Nesse divisionismo, o Artigo 50 da Constituição Federal Brasileira é irresponsavelmente cumprido: a liberdade de escolha depende do conjunto de influências, de compromissos e responsabilidades pessoal e social. O que está posto: entre um “título de primogenitura” e um “prato de lentilhas”, este último sai na preferencial.

Tudo isso está em profunda conexão, conforme dito, à alienação que domina a servidores e servidoras sem leitura crítica da própria realidade, dependentes de padrões deterministas, unilaterais. 

É sabido que as fileiras da puxassacomania são formadas por uma maioria com formação superior, o que lhes garante liderança, reificando, assim, o império da mediocridade. Mascarados de uma palidez viciosa, própria de quem se alimenta de restos e migalhas, puxa-sacos calejam e sujam as mãos massageando sacos diversos… E mais, providos de uma “deselegância discreta” e “exagerando nos detalhes da miséria” adotam postura autoritária, embora, visivelmente vulneráveis aos diversos tipos de corrupção. 

É muito comum entre essa categoria a livre concorrência. Como há pouco saco para muito puxador, ganha a concorrência: quem mais disser AMÉM; quem demonstrar maior habilidade em fuxicologia; quem sustentar por mais tempo o peso e o desconforto do saco em concorrência. Na puxassacomania tudo é proibido, exceto transgredir direitos e garantias definidos em lei. Em contrapartida, os puxadores de carroças caminham contra o vento, sem lenço e a maioria sem documentos…

Enquanto os primeiros calejam as mãos e se contaminam com sacos velhos, doentes e asquerosos, os de baixo trazem nas mãos as duras marcas do trabalho honesto, cujo saldo é a conquista da cidadania e o direito de viver sem donos ou caciques. Apresentam-se mais livres, mais descontraídos. Na dialogicidade entre os pares descobrem-se senhores, senhoras, donos e donas de si – vanguardas da própria liberdade.

Parintins clama por libertação, por autonomia, por qualidade de vida digna… Concurso público é um nutriente incontestável. Chega de zirum boléo!


Fátima Guedesé educadora popular e pesquisadora de conhecimentos tradicionais da Amazônia. Uma das fundadoras da Associação de Mulheres de Parintins, da Articulação Parintins Cidadã, da TEIA de Educação Ambiental e Interação em Agrofloresta. Militante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde (ANEPS). Autora das obras literárias, Ensaios de Rebeldia, Algemas Silenciadas, Vestígios de Curandage e Organizadora do Dicionário - Falares Cabocos.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

Notícias relacionadas

‘Gostoso Veneno’

Resistências de uma Guerreira Sagrada

É todo dia…

Vendilhagens

Nem Todos!

Assuntos filosofia popular, Parintins-AM, Zirum Boléo
Valmir Lima 12 de maio de 2023
Compartilhe
Facebook Twitter Pinterest Whatsapp Whatsapp LinkedIn Telegram Email Copy Link Print
Deixe um comentário

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

Aluno de escola de Parintins bebe água filtrada (Foto: YouTube/ANA)
Síntese

Projeto de escola no AM para filtrar água e acabar com diarreia ganha Prêmio ANA

23 de março de 2021
Síntese

Ex-procurador Francisco Cruz e ex-prefeito de Parintins Enéas Gonçalves morrem vítimas da Covid-19

15 de fevereiro de 2021
Eleições 2020

Candidatos em Parintins se comprometem a não fazer comícios

27 de outubro de 2020
Dia a Dia

Palácio Cordovil começa a ser reformado para abrigar museu dos bumbás

23 de junho de 2020

@ Amazonas Atual

  • Inicial
  • Política
  • Economia
  • Dia a Dia
  • Esporte
  • Polícia
  • Expressão
  • TV Atual
  • Lezera Pura
  • Serviços
  • Variedades
  • Saúde
  • Negócios
  • Tecnologia
  • Colunistas
  • Quem Somos

Welcome Back!

Sign in to your account

Lost your password?